segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Final de Ano

Ano passado escrevi este post falando sobre as Resoluções de Ano Novo.

Este ano, por mais que a mensagem seja idêntica, eu mesmo resolvi assumir alguns compromissos para 2011. Talvez seja uma idéia para quem quer buscar uma inspiração ou motivação a mais para o ano que chega.

Eu fiz uma listinha com as dez coisas que quero realizar em 2011. Algumas são bem difíceis de fazer, mas atingíveis. Outras são bem simples e basta manter o foco nelas.

Estes dias de rotina mais tranquila são muito úteis para isso. Claro que as viagens, curtir amigos e família são capítulos importantes deste final de ano. Mas não esqueça de reservar um tempo para si e, principalmente, ser franco a respeito de sua auto avaliação.

Com ela, 2011 já começa com o pé direito!

sábado, 25 de dezembro de 2010

Feliz Natal!!

Para todos os nossos amigos, alunos e leitores: um FELIZ NATAL!




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segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Férias!

Férias chegaram! Para alguns, tempo de descansar, para outros, tempo de sair da rotina e fazer planos.

Independente do caso, essa época de férias do kung fu é uma armadilha para muita gente. Nessas duas semanas em que a academia fecha muita gente acaba nunca mais voltando. Motivo? Perdeu um hábito.

Nesse período de férias são poucos os alunos que param um dia ou outro para fazer algumas flexões, revisar matérias ou simplesmente se encontrar com os amigos da academia para bater um papo. E ao invés de fazer isso, é arranjado mais tempo para outras coisas menos produtivas e mais no clima “final de ano”, por exemplo, simplesmente ficar em casa estirado no sofá assistindo filmes ou dormindo o dia inteiro.

Claro, férias também é tempo de descanso, de passar um tempo a mais com a família, de fazer alguma viagem há tempos planejada. Mas é importante lembrar do que foi construído o ano inteiro, e ainda mais do poder de um hábito.

Solução? Simples! Ligue para seus amigos da academia, mande um recado pelo Orkut combinando um treino ou um passeio. Muita gente vai treinar em parques públicos, coisa que é extremamente divertida e útil para quem não quer se esquecer das matérias da academia!

São apenas duas semanas que a academia fecha, mas duas semanas sem treinar absolutamente nada, acaba sendo uma perda muito grande no seu condicionamento físico e ainda mais: na sua atitude como artista marcial.

Por isso, aproveite! Mas aproveite balanceadamente! Reserve o tempo de descanso, o tempo de passeio, mas nem que seja por meia horinha, um tempinho para fazer algumas flexões e abdominais no quarto.

Tenham um ótimo Natal e Ano Novo! E espero reencontrar todos vocês em 2011!

Vinícius Miranda

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Preparando-se para falhar

No último campeonato que participamos, observei um fato interessante e totalmente sem base estatística de comprovação, exceto pelo meu "chutômetro": lutadores que se preparavam para falhar.

Pode parecer estranho isso, afinal, ninguém se prepara para perder. Mas talvez de forma inconsciente isso acabe acontecendo.

Em todo campeonato, é previamente divulgada a lista de equipamentos de luta que cada participante deve utilizar no momento em que entra na área de competição. Além disso, entende-se que o lutador jã saiba como é seu equipamento e se ele está adequado ou não para aquele evento.

Entretanto, o que vi foram vários casos de:

- Competidores sem o equipamento completo para lutar;
- Competidores com o equipamento incorreto para lutar;
- Competidores com o equipamento em estado inadequado para lutar.

O mais curioso foi observar que, em 85% dos casos, os lutadores que apresentavam um dos quadros acima acabavam sendo os perdedores das lutas que entravam. Mais ainda: de todos estes casos, os lutadores tinham como conseguir o componente do equipamento que estava faltando ou ainda a substituição do equipamento por um adequado. Ora, se esta opção já estava disponível desde o começo, qual a razão para tentar usar (ou não usar) algo incorreto?

O que pareceu foi que os lutadores não estavam comprometidos de fato em buscar a sua vitória e, portanto, não estavam pagando o preço necessário de uma preparação à altura do merecimento da conquista.

Mas será que fora da área de luta, nós mesmos não fazemos isso vez ou outra? Deixamos "pontas soltas" em algumas demandas que depois se tornam retrabalho, somos negligentes a respeito de nós mesmos, causando lesões ou doenças que poderiam ser evitadas e por aí vai.

Ter Sucesso é uma decisão. A Preparação é o passo seguinte.

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Ecos do Campeonato

"Nunca se afaste de seus sonhos, pois se eles se forem, você continuará vivendo, mas terá deixado de existir". Charlie Chaplin

Nesse final de semana acabei escolhendo essa filosofia pelo campeonato que teve. Esse campeonato me serviu para abrir os olhos para muitas coisas. O mestre mesmo já disse muito sobre o porquê de participar dos campeonatos, assim como o poder de um sonho, mas ainda assim, gostaria de compartilhar algo como atleta que muitos outros também correm atrás.

Dentro da academia nós temos muitos grandes e talentosos ícones, sendo isso pela qualidade que dá aula, pelo jeito que alcança algo próximo ao perfeito nas competições ou simplesmente pelo comportamento de um discípulo exemplar que tem dentro da TSKF.

Já vi muitos alunos que estão começando, que falam bastante sobre querer ter uma técnica boa como tal graduado, que sempre almejam superar aqueles que já estão no topo dessa hierarquia. Coisa boa, desde que haja respeito pelo próximo, a capacidade de segurar suas origens, e lembrar-se de quem o ajudou e o motivou a chegar ao topo.

Claro que esse caminho é muito difícil. Superar atletas que estão há anos treinando para campeonatos não é algo que você faça de uma hora para a outra, e muitas competições você ficará para trás. Mas é aí que você pode medir sua força de vontade e seu sonho. Até onde você corre atrás de suas ambições?

Almejar o topo nunca é uma heresia e falta de ética, é para isso que os professores treinam os alunos, afinal. Então, para todos os atletas que participaram desse campeonato, eis um conselho: Independente do resultado que obtiveram, lembrem-se que esse foi um passo em direção ao seu sonho, e ainda há muitos passos até lá. Se ganharam, parabéns, o próximo será mais difícil. Se perderam, parabéns, já sabem agora os pontos em que vocês têm que melhorar.

O caminho para o topo é feito apenas para aqueles que têm força de vontade, assim já diz o Mestre Gabriel, então desejo a todos vocês que busquem cada vez mais motivação, e que o próximo campeonato tenha ainda mais crescimento pessoal para todos quanto esse mesmo teve.

Vinícius Miranda

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Leite nosso de cada dia





O leite está presente em nossa dieta praticamente todos os dias, seja na forma propriamente dita ou nos queijos, nas manteigas e margarinas, nos iogurtes, nas massas de bolo e pão e muitos outros alimentos que nós nem mesmo sabemos.
Somos incentivados desde crianças a consumir os derivados desse alimento tão natural que quase sempre era idolatrado pelas mamães, ‘’toma todo seu leitinho filhinho, coma essa bolachinha, quer danoninho?’’. Quando indiretamente ela está dizendo, ‘’Acabe com a vida de uma vaquinha filhinho, enriqueça quem maltrata os animaizinhos’’, e não sabe disso.

Se para você isso pareceu uma viagem sem sentido, saiba que a imprensa marqueteira nos mostra uma falsa imagem da realidade. As vaquinhas pastando nos lindos pastos verdes não estão presentes nas indústrias de laticínios. Cada animal fica preso a um cubículo cercado com uma ração especial acoplado a grandes máquinas sugadoras de leite. Poderia parar por aí, mas não tem como esses bichos produzirem leite do nada, precisam dar a luz a outro animal, de 65 a 75% dos casos por inseminação artificial. O bezerro é retirado da mãe ainda bem jovem, causando danos psicológicos nos dois animais. Caso for fêmea, que se junte ás máquinas produtoras, caso machos que se consuma a carne ou sirva para fecundar fêmeas com dificuldades na inseminação.

Deveria, mas não é só esta questão que nos remete a mudar essa fama de que leite é um alimento saudável. Ele é sim indispensável para bebês, nos primeiros meses de vida, pois fornece cálcio, gorduras importantes e anticorpos (se for materno). Mas me digam qual é o outro animal na natureza que consome leite depois do desmame? Ah sim! Gato bebe leite. Nos desenhos infantis talvez tome sim, mas na vida real quem conhece os gatos sabe o que lhe espera depois do consumo, uma disenteria na certa.

Mas e os argumentos de que o leite é nossa fonte principal de cálcio? Balela, alguns alimentos como vegetais de folha verde são tão bons ou melhores em fonte de cálcio. Além disso, o consumo elevado de leite além de aumentar significativamente nossa dieta gorda (de gorduras, dentre elas o colesterol) faz com que tenhamos excesso de cálcio no sangue, obrigando que nossos rins o filtre com mais intensidade, podendo ser inevitável á problemas renais no futuro, como cálculo.

O que dizer que idosos perdem muito cálcio dos ossos e tem osteopenia e osteoporose? Nem todos os idoso, somente aqueles que não praticam atividade física. Está provado que exercícios regulares diminuem substancialmente a perda de cálcio dos ossos nos idosos. Médicos que receitam leite para idosos, na verdade desejam que ele procure rápido um Cardiologista ou Endocrinologista, pois é certo que o aumento no colesterol será subseqüente.

Quer outro argumento? O açúcar presente no leite é a lactose (monossacarídeo facilmente digerido por crianças nos primeiros meses de vida). Pessoas de descendência asiática e africana são incapazes de digerir a lactose, e pessoas de outras origens tem somente dificuldade. Num país como o Brasil, maiores taxas no mundo de miscigenação, é impossível saber ao certo o papel que seu metabolismo vai realizar. Mas qual o problema de não digerir a lactose? Simples, esse alimento permanecerá por muito mais tempo que o normal no seu aparelho digestivo, se degradando aos poucos, criando gases que só tem duas maneiras de ser liberado, eructação (refluxo estomacal de gases) e flatulência.

Pensando nisso, você atleta não vai querer consumir leite e seus derivados antes de competições ou exames por exemplo. Saiba que se o fizer, vai ter algum tipo de problema quase que imediato e algumas vezes provocará uma sensação de desconforto intestinal.

Mais uma vez a conclusão é, mude seus hábitos nutricionais, e pratique esportes. Ter uma vida saudável é difícil só para quem quer.


Sandro Conte Febras


Referências:
• http://www.euroveg.eu
• Fisiologia do Exercício - Energia, Nutrição e Desempenho Humano - FRANK I. KATCH, VICTOR L. KATCH - 2008

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Árbitro Central não cai

Durante o treino do Time de Arbitragem deste final de semana, tivemos uma dúvida levantada: e se o Árbitro Central cair durante a luta, o que fazer?

Minha resposta foi rápida e dura: Árbitro Central não cai. Não é necessário investir tempo pensando em possibilidades que não acontecem.

Claro que a resposta é meio absurda, mas tem uma linha de pensamento que podemos aplicar para qualquer área da vida, envolvendo o Kung Fu ou não.

Naturalmente, uma pessoa atuando como Árbitro Central pode cair sim, em virtude de um desequilibrio, trombando com um ou os dois lutadores, caindo do Lei Tai, etc. Porém, se preparar para isso é um equívoco, ao meu ver.

A queda do Árbitro Central não é algo inerente à atividade, mas um risco bem pequeno comparado à outras situações enfrentadas. Se nos prendermos as pequenas possibilidades de falha e tomarmos todas as precauções para que ela não aconteça e estejamos seguros, fatalmente vamos perder na dinâmica da luta e na beleza do evento.

Todos os nossos Árbitros Centrais que trabalharam até aqui estavam devidamente preparados para assumir esta tarefa em cada evento, de forma que tinham em mãos todo o conhecimento e habilidades necessárias para desempenhar a função de forma adequada. Mais do que seguir protocolos, eles sabiam o que era preciso para que as lutas caminhassem devidamente.

Ou seja, eles sabiam onde era preciso chegar e sabiam que tinham o necessário para chegar lá.

Claro que coisas inusitadas acontecem, como da vez onde o Luiz Fabiano foi atingido no nariz por um lutador mais afoito.

A reação dele (do Luiz, não do lutador) foi algo parecido com "Árbitro Central não cai". Com o nariz sangrando e com cara de que nada disso era com ele, ele permaneceu arbitrando a luta até o final, quando fizemos um troca de árbitro, seguindo o procedimento normal (e proporcionalmente demorado). Somente após isso fizemos o corre corre com gelo, médico, avisa a família, etc, etc...

Não devemos nos preparar para enfrentar o Imponderável. Devemos nos tornar fortes para atingir nosso objetivo e, se acontecer o Imponderável, o enfrentaremos da melhor maneira possível.

Imediatamente após a conclusão do curativo, o Luiz voltou a arbitrar, mostrando que a força dele era muito maior que o receio de um novo Imponderável.

Quando tomamos a verdadeira decisão de fazer algo, nos comprometemos com aquele objetivo. Mesmo sem saber totalmente o que pode acontecer, ainda assim devemos seguir em frente até atingir o ponto que desejamos.

Mas se cair no percurso, é só levantar e continuar, aprendendo com o processo. Sendo Árbitro Central ou não.

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Quebrando Pontes

Há um trecho no livro "Kung Fu – Caminho para a Saúde Física e Mental" do qual eu gosto muito. Fala sobre quebrar suas pontes.

Antigamente, muitos generais de exércitos quebravam as pontes das quais ligava os soldados às casas deles, assim o único caminho a seguir seria adiante, não haveria a menor chance de retroceder. Mas como isso se aplica ao Kung Fu?

Uma das palavras chaves disso é comprometimento. É certo que o seu instrutor com certeza já falou disso alguma vez ao final de alguma aula ou em particular. Ao se comprometer em passar por alguma situação, seja fazer exame, uma demonstração, participar de campeonatos entre tantas outras coisas dentro do Kung Fu, você faz um elo de compromisso entre você a situação. Esse elo, se for respeitado, fará você arranjar forças suficientes até que sua missão seja então cumprida.

A cilada nessa história é: muita gente acaba gerando esse elo, e pela dificuldade, medo ou vergonha acaba quebrando-o para continuar na zona de conforto, ou seja, no fundo, não quebrou sua ponte.

Procure seguir no Kung Fu compromissos dos quais você não volte atrás até alcançá-lo. Seja algo simples como cumprir o horário três vezes por semana ou até algo mais elaborado, como participar de um número X de categorias no campeonato, ou quem sabe participar da cerimônia de abertura do mesmo.
Particularmente eu sempre faço uma coisa aos sábados: sempre que saio da aula de arbitragem, eu deixo minha mochila com meu uniforme e diversas coisas necessárias do meu dia-a-dia na Matriz, assim, independente do compromisso que eu tiver Sábado à noite, Domingo de manhã eu tenho que estar lá para fazer aula de instrutor, do contrário não tem como eu pegar meus pertences para Segunda-feira.

E isso não só no Kung Fu, mas no seu dia-a-dia. Quebrar as pontes para falar em público, quebrar as pontes para perder a timidez na escola, quebrar as pontes para passar num vestibular. Se você apostar em você mesmo e correr atrás, as chances sempre estarão a seu favor, independente da situação, não acha?

Vinícius Miranda - TSKF Casa Verde

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Até onde você quer chegar?

Creio que a coisa mais importante para quem começa a treinar, é definir um objetivo, uma meta, onde se quer chegar.

Isso pode ter a ver com a próxima faixa, pode envolver chegar à faixa preta, pode ser tornar-se um campeão. Na verdade pode ser qualquer coisa. Mas para funcionar deve ser algo mensurável e renovável.

Objetivos que não tenham estas duas qualidades não funcionam por muito tempo, pelo que vejo. Vejamos:

Mensurável
Tem que ser algo que possa ser medido e contado. Vamos supor que o objetivo seja atingir a faixa preta. Você pode medir cada passo para chegar até lá e você tem como medir se atingiu este objetivo (basta olhar para sua cintura a cada final de aula).
Outro exemplo, seria perder 5 quilos. Mas cada um dos casos acima pode ser uma armadilha perversa de nossa própria mente, como falarei a seguir.

Renovável
Um objetivo tem que ser algo que possa ser atualizado. E é aqui que pode se esconder a armadilha da nossa mente. Vamos voltar ao objetivo de chegar na faixa preta. Imagine que uma pessoa atingiu este objetivo. Durante algumas aulas ela vai curtir o "gostinho" da vitória pessoal mas, passado um tempo, ela vai se perguntar o que ainda está fazendo ali, se há tantas coisas legais fora da academia para se fazer e ela já está onde ela gostaria de estar.
Assim, ela não renova seu objetivo e, fatalmente, vai parar de treinar, sem nem mesmo saber direito porque está fazendo isso.
No nosso outro exemplo, isso fica ainda mais claro: ao perder os 5 quilos indesejados a pessoa pensa: "pronto, consegui! Agora vou aproveitar meu corpo em forma."

Neste caso, o engano reside no fato da pessoa achar que "em forma" é um status que se atinge um vez e está garantido. Mal sabe ela que "em forma" é um estado que precisa ser cultivado dia a dia, exatamente como um bom hábito, onde o treino de Kung Fu regular é um ótimo veículo para isso.

Assim podemos ver que um objetivo mensurável mas que não seja renovável pode ser ruim no longo prazo. Daí a importância de mantermos estes dois pilares em nossos objetivos.

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Prioridades

Tenho visto, ao longo dos meus 4 anos como instrutor, uma série de pessoas que desistem da academia por uma razão interessante: estão trabalhando demais.

Longe de mim questionar a agenda profissional de cada um, mas quero levantar a questão: vale a pena adotar uma escala de trabalho com uma quantidade de horas absurda?

A resposta seria a óbvia: "claro que não, mas o que posso fazer?". Na verdade você pode fazer muita coisa. Durante um bom tempo, eu mantive meu trabalho "normal" como CLT e comecei minha vida como instrutor.

Neste meio tempo, cuidei de alguns projetos complexos no meu trabalho "normal". Um deles exigia a implantação de um sistema para cerca de 2.000 estações de trabalho, gerando não apenas a mudança técnica, mas a necessidade de mudança de procedimentos feitos por algo em torno de 5.000 pessoas, divididas entre os estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul.

Ao longo do tempo, adotei alguns hábitos que me ajudavam a sair dentro do meu horário normal:

1- Eu sempre chegava no horário (quando possível, mais cedo)
Como todo mundo trabalhava até muito tarde, era comum chegarem atrasado no dia seguinte. Se eu queria fazer diferente, deveria começar diferente pelo início do dia e não pelo final (do tipo: "hj ninguém me pega, vou embora no horário")

2- Reuniões e conferências com horário de início e de fim
Eu sempre ia para reuniões sabendo o horário que iriam começar e o horário que iriam terminar. Claro que eram apenas previsões e, como bons brasileiros que somos, sempre tinham atrasos. Mas verificar isso com o organizador da reunião, ajuda a estabelecer um ritmo para a coisa e não fica tão solto, como aquelas reuniões intermináveis de 5 ou 6 horas.
Todas as reuniões que eu organizava eram de 1 hora de duração, todo mundo recebia a pauta da reunião com antecedência e as "lições de casa" que cada um deveria trazer. Mais tempo de reunião que uma hora, considero uma perda de tempo.
Voltando à questão dos atrasos, eu trabalhava com um notebook eventualmente, isso me permitia continuar trabalhando na sala de reunião até que ela começasse. Quanto eu não tinha o notebook disponível, usava meu caderno para anotar os próximos passos dos projetos e coisas que precisaria fazer na sequência da reunião.
Em tempo: eu jamais fazia outra coisa no meio de uma reunião, que não fosse me focar nela.

3- Não perca tempo no almoço
Eu tinha alguns colegas e chefes que sempre davam uma "esticadinha" na hora do almoço e faziam, no lugar da uma hora tradicional, uma hora e meia de almoço, "compensando" isso depois do horário.
Eu escolhia comer em lugar mais vazios e usava apenas 45 minutos do meu tempo total, para voltar mais rápido ao trabalho. Além disso, procurava almoçar 30 minutos antes ou 30 minutos depois do horário de pico de onde trabalhava (entre 13h00 e 14h00). Assim enfrentava menos filas no restaurante, no café e nos banheiros depois.

4- Você não é um criminoso
Na primeira vez que sai no meu horário, minha chefe olhou para mim com uma cara de inquisidora e fez aquela pergunta: "Já vai?". Eu poderia dar milhões de desculpas em voz bem baixinha para justificar minha saída, mas resolvi encarar de frente o rojão e disse: "Já fui".
Comoção geral na área. Alguém indo embora no horário!
Milagrosamente não fui demitido no dia seguinte.

5- Esteja pronto para ser o diferente
Após começar a sair no horário, passei a ser muito mais cobrado pelos meus projetos, especialmente na última hora de trabalho. Felizmente, os seres humanos (e chefes não são exceção) seguem padrões de comportamente parecidos e tendem a agir de forma similar dia após dia. Como, conhecendo meu trabalho e conhecendo meu chefe, eu já sabia de forma geral o que ele ia me pedir ao longo da última hora, eu deixava tudo pronto antes (lembra que eu chegava mais cedo do almoço?). Quando ele me pedia algo, eu já tinha pronto ou bem desenvolvido de forma que poderia entregar e ir embora no horário. (não sem um cara de espanto como prêmio).

A lista poderia ser mais longa, mais vou ficar por aqui. O importante é que, neste meio tempo, cuidei do meu trabalho com projetos importantes, cuidei do meu casamento e abri 3 academias com sócios fabulosos.

Talvez por isso eu me preocupe com o fato de ver pessoas que não treinam ou deixam de cuidar de si mesmas porque estão trabalhando muitas horas por dia. É tudo uma questão de prioridades. E não estou dizendo que todos devem passar a sair mais cedo todos os dias e fazer uma revolução contra seus chefes. Estou falando sobre reservar, ao menos, um horário para fazer uma hora de aula, três vezes por semana.

Você deve ser sempre sua primeira prioridade. Chefes vêm e vão, assim como empregos. Mas você vai ter que conviver com você mesmo a vida toda.

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Resistindo a Resistência

Nosso último teste em cada exame é o teste de Resistência, onde o aluno deverá ficar na postura do cavalo, com os dois braços à frente, por um tempo determinado, de acordo com a sua graduação.

Muitos (eu inclusive) consideram este teste especialmente difícil, uma vez que ele é realizado após o corpo já estar com um certo nível de fadiga. Mas na verdade, creio que o principal problema seja outro.

A Resistência é um exercício físico e mental ao mesmo tempo. Por mais forte ou musculoso que seja seu corpo, a estrutura vai fadigar em um determinado momento. Podemos dizer que a "energia do músculo" acaba e a sensação de queima se apodera das pernas.

A partir deste ponto é que começamos a entender um pouquinho mais o que é ser um Artista Marcial. É a mente que determina a continuidade na posição, apesar do corpo reclamar e pedir descanso. Fomos geneticamente programados para procurar preservar a nossa estrutura corporal. Se colocamos a mão no fogo, nosso reflexo age antes para se afastar do fogo, antes de pensarmos racionalmente. Em escala menor de "reflexo", quando nossas pernas cansam, nosso corpo pede para que descansemos. Pede para que pare o que está gerando o cansaço.

Mas nossa mente sabe onde quer chegar e que podemos fazer muito mais do que a nossa limitação corporal encerra. Por isso, aqueles que tem uma mente focada em um objetivo específico conseguem ficar o tempo necessário de sua faixa, ou até mais. A dor é suportável. O desconforto é suportável. O suor nos olhos é suportável. Desistir sem ter feito realmente o seu melhor, até o limite, é que é insuportável.

Voltando ao aspecto físico, é importante lembrar que a resistência deve ser feito com uma distância entre as pernas confortável. Este "confortável" varia bastante de pessoa para pessoa. Pessoas mais esguias, tendem a ficar confortáveis com uma distância grande entre as pernas. Pessoas mais atarracadas, tendem a ficar confortáveis com uma distância menor entre as pernas. Claro que a distância maior ou menor não significa deixar a postura incorreta, por isso, sempre busque a orientação do seu instrutor.

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Taolu ou Kati?

O termo taolu pode ser traduzido como rotina ou forma. O termo kati não existe em chinês, portanto não tem tradução. Acredita-se que o termo kati foi usado pelos primeiros mestres chineses que se estabeleceram no Brasil para explicar que um taolu era parecido com um Kata de artes japonesas, mas não igual. Devemos lembrar que a comunidade japonesa no Brasil é mais numerosa e mais antiga que a comunidade chinesa, portanto, tornou-se a base de referência para toda cultura oriental para os brasileiros.

Vejam que de maneira alguma isso é uma crítica ou censura para aqueles que ainda usam o termo Kati. Na verdade, podemos dizer que foi uma solução simples e fácil para adaptar a linguagem do Kung Fu em nosso Brasil e tornar a adesão à ele mais tranquila. Ainda mais se lembrarmos que as facilidades de internet e acesso à outras fontes de informação eram muito, muito diferentes naquele tempo.

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

I amar prestar aen

Neste final de semana tivemos mais uma rodada de exames na Matriz. Além disso, atendento aos pedidos da minha patroa, assistimos novamente a trilogia de "O Senhor dos Anéis", todos na versão extendida.

Ok, ok, sei que são fatos aparentemente que nada têm em comum...Mas algo me chamou a atenção no final do último filme, "O Retorno do Rei"...e não foi a Liv Tyler.

NOTA IMPORTANTE: SE VOCÊ NÃO ASSISTIU O FILME E/OU LEU O LIVRO, ABAIXO CONTÉM SPOILER! (mas quem não viu ainda???)

Após a destruição do Anel, ainda ao pé da Montanha da Perdição, é possível ver um Frodo extremamente aliviado. Naquele momento, ele estava com sede, fome, passando um calor absurdo, com as vias respiratórias quase bloqueadas por cinzas e poeira e sem banho (eca). Ainda assim, ele estava aliviado. Tudo pelo fato de ter cumprido sua missão. Ainda em Valfenda (no primeiro filme), ele havia assumido o compromisso e dado a sua palavra que levaria o Anel para ser destruído e assim o fez. Ele concluiu algo que começou.

Cada um em sua aventura, todos os alunos que fizeram o exame de faixa concluíram mais uma missão. Esta missão cumprida levou à uma nova: para alguns amadurecer as técnicas com total foco e para outros começar uma nova etapa da jornada dentro do Kung Fu.

Mas outra cena me chamou bastante a atenção no mesmo final do filme. Quando o grupo estava nos Portos Cinzentos, onde Bilbo, Gandalf, Galadriel, Celeborn e Elrond partiriam para Valinor, surpreendentemente Frodo também informa que vai partir.

Meio que se explicando para os demais hobbits, ele diz algo parecido com "Não tinha como voltar para casa e retomar as coisas como eram/fazer as coisas do mesmo jeito." Isso justifica o ar melancólico que ele mostra durante seu tempo no Condado, após voltar da aventura.

Seguindo o paralelo, quando eu vejo os alunos voltando do exame, raramente eles voltam da mesma forma. Sempre voltam melhores do que foram, independente de terem passado, independente da faixa nova. A experiência e a provação que é somada ao currículo deles fazem com que se tornem pessoas maiores e melhores dentro da academia.

E sábio é aquele que procura transbordar esta mudança para toda a sua vida.

Ah! O nome do post? Em sindarin (língua dos elfos), só para manter o clima...

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Braços Cruzados

Quando começamos nossa prática no Kung Fu, ou mesmo em qualquer coisa nova em nossas vidas, ficamos um pouco inseguros, já que tudo é novidade e há muito para ser explorado.

Entretanto, esta fase de insegurança passa com a mesma velocidade em que estamos abertos para aprender, experimentar novas práticas e explorar como a novidade do Kung Fu, por exemplo, pode trazer benefícios à nossa Saúde.

Mas talvez meio que pelos hábitos de nossa sociedade atual, temos uma certa tendência em temer o novo ou ainda algo que possa nos tirar de nossa zona de conforto, por mais que saibamos que é fora desta zona de conforto que evoluímos.

Com isso, nosso corpo expressa este desconforto e insegurança com uma ação comum: cruzando os braços.

Encontrei neste link uma definição interessante:

"Braços cruzados na frente do corpo - Indicam uma variedade de significados, dependendo da situação. Pode ser uma forma de se resguardar, de se proteger ou de mostrar medo, timidez, força ou poder (uma fortaleza). Como também uma pessoa com os braços cruzados pode, simplesmente, ser fria. De uma forma geral demonstra uma posição defensiva."

Como aproveitar ao máximo o que é oferecido na academia, estando em uma posição fechada?

Teste, arrisque, erre, pergunte, converse, experimente...Tudo isso é Kung Fu! É um eterno aperfeiçoamento prático!

Mas não cruze os braços antes, durante ou depois da aula. Somente quando não estamos na defensiva é que podemos vivenciar uma prática produtiva e enriquecedora.

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Sushi

Neste final de semana, fizemos uma demonstração de Dança do Leão e Kung Fu na Festa das Nações em uma escola de inglês pertinho da Matriz. Foi uma experiência muito interessante observar como podemos, como artistas marciais, influenciar as pessoas que estão à nossa volta.

Depois de terminada as apresentações, fomos convidados a experimentar as diferentes comidinhas disponíveis, representando os diversos países. Naturalmente, acabamos na comida japonesa, feita pela nossa aluna da Matriz Nozomi (ouvi dizer que a filhota dela ajudou a fazer tb...).

Percebi ao meu lado, um garoto de uns 10 anos mais ou menos, bem curioso a respeito das nossas roupas, armas e conversas. O Brian tinha um olhar bem vívido e uma cara de sapeca típica dos garotos desta idade, apesar de ser meio tímido com as palavras. Ele se mostrou especialmente curioso no meu prato de comida com alguns sushis que eu comia. Ele olhava meio que intrigado entre a forma de comer com os hashis e o que diabos eu estava comendo...

Perguntei se ele já tinha comido sushi alguma vez e ele disse que não e balançou a cabeça em negativa. Perguntei se ele já tinha comido com "pauzinhos" alguma vez e novamente veio a negativa. Dado o espaço que tínhamos e pelo fato de eu não ter uma grande habilidade com hashis, disse a ele que não poderia ensiná-lo a comer com os hashis naquele dia, mas, se ele quisesse, poderia experimentar um dos meus sushis e, se não gostasse, não precisaria comer tudo...

Ele ficou com um cara de aceita-não-aceita e nisso, os rapazes (Antonio, Luiz Fabiano, Osvaldo, Anderson e William) já me zoando, dizendo que eu estava assustando o garoto e o ameaçando...Bem, resolvi deixar isso de lado e peguei um sushi e levei à boca do Brian (ah sim, usei um hashi novo viu mamãe-do-Brian?), que prontamente deu uma mordida no sushi e fez cara de quem gostei-não-sei-se-gostei. Crianças são difícies de entender às vezes...Fiz ele acabar de comer o sushi e perguntei se ele tinha gostado. Ele balançou a cabeça, dizendo que sim. Mas fiquei na dúvida se tinha dito isso para ser educadinho ou se realmente tinha gostado.

No momento, deixei isso de lado um pouco e me voltei para minha refeição, já que o Antonio estava comendo quase tudo e não ia sobrar nada para mim...Depois da refeição, começamos a juntar nossos equipamentos, trocar de roupa e nos despedir do pessoal.

Na saída, percebi que o Brian estava sozinho no lugar que eu estava anteriormente, com um sushi na boca e outro na mão e, desta vez, REALMENTE estava com cara de que estava curtindo aquela comida diferente. Antes que perguntem, tinha um outro pote com sushis que o Antonio não tinha visto...

Mas o ponto pricipal que quero dizer é que tive a oportunidade de ajudar o Brian a descobrir como a cozinha japonesa pode ser boa. Daqui há alguns anos, talvez, ele poderá levar alguma aspirante a namorada para jantar em um restaurante japonês e provavelmente nem vai se lembrar de mim. Mas o ensinamento e a experiência que compartilhamos, ainda que simples, estarão com ele.

Como você tem influenciado outras pessoas ultimamente? E mais: como você tem deixado o Kung Fu influenciar você para um novo modo de pensar e agir?

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Porque ser bem sucedido



Jesus Cristo, Mahatma Gandhi, Buda, Pelé, Lula, Bill Gates, Donald Trunp, Bruce Lee, Jakie Chan, Jet Li, Airton Senna etc.

Afinal de contas, o que essas pessoas têm em comum. Posso dizer que pelo menos duas coisas.

1 – Todos eles foram ambiciosos o suficiente e, portanto, bem sucedidos no que desejaram.

2 – Todos eles além de bem sucedidos conquistaram milhões de admiradores e seguidores.

Sou capaz de dizer que o que mais impede o desenvolvimento do Kung Fu no mundo é exatamente a aversão que a maioria dos praticantes e mestres tem da ambição e do capitalismo e da noção errada do que eles pensam ser tradição, isso ocorre principalmente por ignorância a respeito do que essas coisas realmente significam, sem contar é claro na total falta de espírito empreendedor e empresarial.

Para a grande maioria dos professores e praticantes, ter ambição soa como pecado ou alguma coisa muito errada que não deveria existir no meio das artes marciais. Onde começou esse pensamento e essa cultura eu não sei dizer, posso apenas imaginar.

Fico pensando se o fato da maioria dos mestres não conseguirem ser bem sucedidos monetariamente falando não os levam a incutir na cabeça de seus alunos que isso é errado, talvez até mesmo inconscientemente, por medo de que eles consigam aquilo que eles mesmos foram incompetentes pra conseguir. Acredito que esse tipo de pensamento passado de mestre pra aluno vem gerando uma reação em cadeia que tem prejudicado muito o crescimento da nossa arte.

Refletindo um pouquinho mais, eu fico pensando por que diabos a gente estuda do primário até a faculdade. Será que faríamos isso sabendo que no final de tudo, a única coisa que conseguiríamos seria apenas receber o salário mínimo suficiente pra sobreviver ou porque na verdade desejamos um pouco mais. Digo isso porque é exatamente o que ocorre com o Kung Fu, treinam-se anos a fio pra um dia desistir porque não chegou a lugar nenhum.

Nesses últimos trinta anos observo que a maioria dos alunos de kung fu desiste em duas fazes muito críticas para o crescimento de nossa arte. A primeira onde a grande maioria desiste é nos primeiros três meses de treino, exatamente quando o kung fu ainda não é gostoso, quando ainda lhes doem o corpo por falta de condicionamento físico e quando ainda não se acostumaram com a disciplina um pouco mais rígida. A segunda é quando o aluno já se tornou muito antigo e percebe que seus mestres mal conseguem sobreviver dando aulas, então, decide que não quer o mesmo pra sua vida e seguem carreira em outra área, afinal de contas, todos querem ter condições de ter seu carro, sua casa e sustentar sua própria família.

Ao contrário do que muitos pensam, fazer bem pra nossa arte é se tornar bem sucedido. Fazer bem para a nossa arte é fazer o que fizeram Bruce Lee, Jakie Chan, Jet Li e os cineastas e empresários que os ajudaram a serem famosos e bem sucedidos colocando-os no cinema para que o mundo todo pudesse ver.

O mundo segue os heróis e os bem sucedidos, ninguém vai querer seguir o Zezinho ou aquele mendigo da esquina. É por essas e outras razões que precisamos urgentemente mudar essa cultura maldita de pobreza dentro do kung fu. É por isso que urge que ajudemos a formar pessoas bem sucedidas e ricas em nossa arte para que nossos filhos possam ter os seus heróis e possam querer seguí-los e fazer o mesmo que eles.

Formar pessoas e torná-las bem sucedidas, sempre foi e sempre será uma de minhas metas e certamente é uma das minhas grandes fontes de prazer e felicidade. Nada me deixa mais feliz do que ver meus alunos sendo bem sucedidos como sócios de minha organização.

Se eu tivesse que dizer alguma coisa pra vocês pra fazer com que nossa arte cresça, eu diria simplesmente; sejam bem sucedidos, façam sucesso, sejam ricos e felizes ensinando kung fu. Isso certamente desenvolverá a nossa arte pois o mundo segue os bons e os campeões.

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Além da área de treino

Um dos diferenciais em treinar Kung Fu reside em aproveitar os ensinamentos para diversas áreas da vida, desde que vc mantenha a mente aberta para isso.

Exemplo: desenvolver a determinação em ficar na Resistência por 1 minuto ou executar os fundamentos da faixa branca com a postura mais baixa. Esta determinação, praticada em um exercício físico pode ser tranquilamente transportada para seu trabalho ou qualquer outra área que vc precisa de uma "injeção de determinação".

Mas podemos, com o devido tempo e experiência, transportar o ensinamento físico para outra área também física.

Neste final de semana, a TSKF esteve na Maratona de Revezamento Pão de Açúcar, com uma equipe de 4 atletas e outra equipe de 8 atletas. As unidades Guarulhos, Casa Verde, Itaim e Vila Madalena marcaram presença na prova.

Tivemos a participação especial do meu pai também, que à esta altura, muitos dos alunos já sabem que ele corre há bastante tempo e tem o atletismo como seu esporte. Pedi uma ajudinha dele para nos orientar ao longo do percurso, que o fez correr pouco mais de 30 km, enquanto cada um de nós correu 5,2 km.

Ao término da prova, levando meu pai em casa ele comentou que todos os instrutores que correram na mesma equipe dele estavam com uma performance melhor, em relação ao último ano e nos perguntou se tínhamos treinado de uma forma mais específica para este evento. Bem, tivemos que confessar, salvo o Antônio, que não...Mas ele insistiu: "Mas vcs mudaram o treino de vcs, não?".

Foi aí que a Adriana lembrou que estávamos treinando mais pesado desde junho, por causa do nosso exame de faixa e também do campeonato da FPKT, que participamos na semana passada.

Ou seja, conseguimos transportar nosso treino do dia a dia do Kung Fu para outra atividade física. Claro que não fomos os mais velozes da prova, mas tivemos uma performance consistente e superando muitas equipes de corredores que, definitvamente, não fazem Kung Fu.

Se podemos transportar a experiência com os músculos de uma atividade para outra, pq não podemos transportar também as idéias, reflexões e insights do nosso Kung Fu para nosso trabalho e nossos relacionamentos?

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Evolução

Do Aurélio:

"Progresso paulatino e contínuo a partir de um estado inferior ou simples para um superior, mais complexo ou melhor."

"Transformação lenta, em leves mudanças sucessivas."

Quando um novato termina as Posturas Básicas significa o que eu acabei de escrever: termina. Mas não completa. E nunca vai completar. Sabe por quê?

Porque o "completar" significa fazer com perfeição. E, como sabemos, ninguém é perfeito. Ainda assim, o desafio do artista marcial é buscar a perfeição a cada treino e em cada execução de movimento.

E quando este mesmo aluno chegar na faixa roxa? Bem, se ele entendeu a lógica simples acima, as Posturas Básicas dele serão melhores em relação a um novato, mas ainda assim, terá margem para evolução.

Infelizmente, há um erro comum que se pode cometer, já citado pelo nosso Mestre em seu livro. O aluno acha que "já está bom", e ele "já aprendeu". Isso é uma situação traiçoeira para se estar, porque passa a entender evolução como adicionar movimentos novos simplesmente. E Evolução dentro do Kung Fu significa sim adicionar movimentos novos, mas mais do que isso: obter maestria na execução dos movimentos.

Ao executar os Básicos de Socos mais de uma vez por aula, lembre-se que não se trata de repetir algo que já se sabe simplesmente. Trata-se de uma oportunidade de trabalhar uma postura mais baixa, fortalecer mais as pernas, trabalhar a pontaria do soco, praticar a explosão dos movimentos e um giro eficiente de quadril.

Justamente o que é cobrado de um aluno avançado.

Mas se o aluno avançado não pratica isso quando estamos falando do Básico de Socos, isso será feito quando se chega nos Básicos de Lança, uma matéria avançada, que requer muito esforço físico e técnico?

terça-feira, 31 de agosto de 2010

A importância de um uniforme

É muito interessante como as roupas, as cores e os materiais de trebalho nos influenciam no nosso dia a dia, e o mais interessante ainda é observar a arte de se manipular essas influências.

Sempre que vimos alguém na rua com uma roupa laranja e uma vassoura na mão, pensamos em um... ... Gari... Quando estamos no trânsito e vimos alguém ou com a roupa marrom, ou amarela com um caderninho na mão... Guardas de trânsito... Ou quando estamos no aeroporto e vimos mulheres maquiadas com um lencinho no pescoço pensamos que são... Aeromoças... E nos três casos acima, as pessoas com essas características não necessariamente são, Garis, CETs ou Aeromoças, mas o fato de estarem vestindo determinadas roupas, usando apetrechos singulares de alguns ramos de trabalho específicos, os pré-julgamos serem.

É fatal se concordar com os argumentos acima, porém na escola, o garoto ou a garota não usarem o uniforme que representa sua escola, ou na empresa, o empregado não usar o uniforme de sua empresa por não gostar, ou não achar bonito, são coisas totalmente comuns.

Para ficar mais claro o porquê usar um uniforme, o melhor exemplo é o de uma família.

Referente ao futebol, por exemplo, se você for a qualquer país, e perguntar: Qual Seleção de roupa amarela você já viu jogar na copa do mundo (existem contando por alto 3 seleções com essa cor de uniforme)? Qual será a resposta? BRASIL.
Referente ao Kung Fu, se você for hoje, nos Estados, em Cingapura, ou na Alemanha num campeonato e perguntar: Que país que você conhece, tem competidores cuja cor do uniforme é amarela? A resposta será: Brasil !!!

Isso porque, somos uma família, e quando nosso Mestre teve a vontade de fazer com que essa escola, essa família tivesse um grande destaque no meio Kungfuísta, estipulou que a cor que iria nos representar seria a amarela, e isso fez com que hoje, nossa escola seja uma referência em vários lugares, por exemplo, na televisão, no Youtube, e principalmente diante de escolas de Kung Fu e outras artes marciais de outros países.

O mais legal disso tudo é que hoje, tendo mais de 1500 alunos na rede, conseguimos a qualquer momento, em qualquer evento, nos portar de fato como família, afinal, quem compete, tem o Yi-fu (roupa kungfuísta) amarelo com a calça preta, e quem não gosta de competir, mas gosta da escola e de estar em meio aos seus, tem a blusa de agasalho amarela, a camiseta de passeio amarela, e a calça de agasalho preta.

*por William Costa - TSKF Consolação/TSKF Demo Team

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

A Nova Mentalidade

E mais um exame se passou...A grande maioria dos alunos conquistaram suas novas faixas, não sem antes passarem pelo teste diante dos demais alunos, instutores e nosso Mestre.

Vi algumas carinhas bem conhecidas neste exame, em especial, e foi bom ver todos passando para uma nova etapa de sua vida no Kung Fu. É importante que mantenham, porém, a atitude de ter uma nova mentalidade.

Quando se inicia uma nova etapa, em qualquer área da vida, é importante que se carregue todas as experiências obtidas até aqui com você. Quem passou para a faixa verde, por exemplo, não deve esquecer de como executar um bom Fu Xin Chuan ou ainda não deve deixar de treinar os Básicos de Socos, para trabalhar a postura e a pontaria dos socos, entre outras coisas.

Por outro lado, não se pode deixar que a mente fique "travada" no conhecimento antigo, pois chegou o momento de experimentar e conhecer novas coisas, no nosso caso, novas técnicas. No nosso exemplo, é preciso manter-se aberto para aprender o Chute Saltando e o Furacão, que ao meu ver, representam um quase retorno à faixa branca, pois é preciso entender uma série de conceitos novos e também perceber-se de uma forma diferente para movimentar o corpo adequadamente. Exatamente o que acontece quando se começa em nossa escola.

Parabéns à todos que passaram de faixa no último exame e boa sorte neste nova etapa da jornada!

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

A Arte da Arte Marcial e os Sentimentos Corporais



Nosso corpo pode se manifestar de diversas maneiras diante de nossa realidade, seja por meio do trabalho, do amor, do sexo, de ações em geral e da arte.
Ao passo que analisamos a natureza e nos sentimos transformados diante de suas exuberâncias, já podemos dizer que estamos trabalhando. Para isso, é imprescindível que realizemos forças com o corpo humano.
As ferramentas, armas e máquinas nada mais são do que ampliações do poder do corpo, assim como um computador é o prolongamento de nosso cérebro, um martelo ou uma espada são o prolongamento de nossos punhos fechado.

No entanto, a forma do objeto que usamos entrelaçada com o nosso projeto de trabalho, formam uma referência a respeito do seu agir sobre o mundo. Pois um instrumento é utilizado de acordo com aquilo que conferimos: uma Lança para um caçador neolítico, não significa a mesma Lança a um atleta de Kung Fu.
Numa atividade física, a integração do sujeito com seu corpo, se torna ainda mais clara. Diferente do clichê de que exercícios promovem apenas treinamento muscular, momento de descontração e condição de equilíbrio fisiológico, um treinamento esportiva é o apelo ao aperfeiçoamento incessante, pondo em função o esforço do esportista.
Realizando movimentos físicos, abrimos uma condição essencial ao Kung Fu, pois a combinação exata de um movimento, com uma intenção que lhe propõe, transmite o tal do espírito. Ter ‘’espírito’’ é simplesmente uma produção artística, posto que arte é a realização de uma habilidade naturalmente fluente.

A arte nas artes marciais é um caso privilegiado de entendimento intuitivo do mundo, tanto para seu realizador, quanto para seu apreciador, pois com a biomecânica corporal temos que ser capazes de transmitir sentimentos.
Para que se transmita sentimento, é preciso ter emoção, ou seja, um estado psicológico que envolve agitação afetiva que te levará a uma reação cognitiva de reconhecimentos de certas estruturas do mundo.
Por tanto para quem ainda considera o Kung Fu apenas mais uma atividade física, ainda não se descobriu como artista marcial, e ainda não reconhece que o mundo está em suas mãos e basta um olhar íntimo dessa realidade para transmitirmos sentimentos que só reconhecemos em quem realmente conhece a arte.

Sandro Conte Febras


Referências:
ARANHA, Maria Lúcia de Arruda ET al - Filosofando, Introdução a Filosofia - Moderna, São Paulo, 2003
PROENÇA, Graça - História da Arte - Editora Ática, São Paulo, 2004

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Ferramentas Certas

Estava eu no final de um treino do Demo Team há um tempinho atrás e me ocorreu uma súbita (e esquisita) idéia: e se as coreografias do Demo Team fossem feitas com outras armas?

Encontrei uma voluntária, tão maluca quanto eu diga-se, que é a nossa honorável Thaís lá da Unidade Campo Belo e fizemos uma troca. Enquanto eu faria a coreografia do facão usando o leque dela, ela faria a coreografia do leque, usando o meu facão.

O resultado podemos ver nos vídeos abaixo...





Quantas vezes percebemos que deveríamos ter usado outra ferramenta para executar uma tarefa? Tomar decisões com energia e de forma autoritária x decisões com sutileza e de forma diplomática. Trabalhar até mais tarde em um projeto importante x rearranjar as tarefas para trabalhar no projeto ao longo do dia normal de trabalho.

São pequenos exemplos de decisões, e ferramentas, que empregamos para fazer coisas. Mas seria bom refletirmos se de fato estamos usando as ferramentas certas no trabalho certo.

As vezes, podemos até concluir a tarefa com uma determinada ferramenta, talvez a não mais adequada. Mas não é importante encontrarmos aquela que se encaixa perfeitamente para o que precisamos fazer?



segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Domingo 09h00

A rotina funciona sempre da mesma forma: entre 08h59 e 09h00 o Mestre entra na sala de treino da Matriz e o Luiz Fabiano (instrutor do Tucuruvi), com sua entonação característica, orienta energicamente que todos se levantem e/ou tenham a devida atenção e cumprimentem o Mestre Gabriel.

A partir daí segue-se o processo que todos os alunos já conhecem para o início de uma aula na TSKF. Na verdade seria até uma aula comum, se não fosse o fato do Mestre "puxar" a aula.

Esta aula dominical é um benefício que todo aluno(a) faixa marrom em diante adquire. Esta aula não conta dentro do número de aulas do plano de cada um. Entretanto, ainda assim, muitos preferem não usar este benefício. Afinal, tem que acordar cedo aos domingos.

Naturalmente que não querer acordar cedo em um domingo é um motivo válido e compreensível para não participar destas aulas. Muitos trabalham pesado ao longo da semana, treinam, cuidam da família e diversas outras obrigações do mundo moderno. Mas citando um pensamento (ótimo) da Lourdes aqui da Vila: "Se a gente acorda cedo para fazer um monte de coisa que não gosta, por quê não podemos acordar cedo para fazer algo que a gente gosta?"

Poder treinar com o fundador da academia, com sua experiência de mais de 30 anos no Kung Fu agrega ainda mais valor técnico, uma vez que seu olhar e sua avaliação é muito rígida e precisa. Mais do que apenas treinar, é estar de fato comprometido com sua Arte.

Para muitos isso pode significar ter que abrir mão de uma balada no sábado ou de mais horas de sono no domingo pela manhã. Mas conheço exemplos de pessoas que não acham que a aula exclui outros compromissos importantes. Elas saem de sábado, mas terminam a balada um pouco mais cedo. Outros saem de sábado e vão direto para o treino no domingo (não é muito recomendado, mas vá lá). Outros ainda simplesmente escolhem outro dia para fazer sua balada.

Tudo depende da importância que vc dá para sua Arte e o comprometimento que vc decide ter. Veja que não há uma única resposta certa e universal para ir no treino ou não, tudo depende do que vc deseja priorizar.

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Porque guardo fotos velhas, mas não armas velhas

Quando cheguei na academia da Vila Madalena, vi no fundo de uma gaveta alguns álbuns de fotos antigas da academia. Fotos antigas mesmo, como uma do Anderson (instrutor da Mooca) quando ele REALMENTE tinha cara de menino e por aí vai. Encontrei fotos de muitas pessoas que já não estão mais na TSKF, sejam ex-instrutores ou ex-alunos.

Eu tinha duas alternativas: ou pegava tudo e jogava fora, ou deixava à disposição de todos. Optei pelo segundo caminho...Claro, poderia ter deixado tudo guardado onde estava, mas coisas guardadas não nos ajudam a tocar o presente ajudam?

Hoje as fotos estão na secretaria e geram alguma surpresa nos alunos novos em ver caras "da antiga". Os nosso velhos de hoje também gastam algum tempo vez ou outra observando os caras que eram antigos quando eles eram novos e por aí vai...

Eu decidi manter as fotos velhas por que elas representam parte da história da academia. Cada um dos momentos retratados é um tijolo que ajudou a construir esta academia. Todos eles são importantes, mesmo aqueles que hoje não estão mais na academia. Seus bons momentos não devem ser esquecidos e os méritos não merecem ser apagados.

Por outro lado, fechamos nesta semana uma limpeza das lanças e bastões antigos. Removemos uma série de bastões que não eram de ninguém que estavam na academia até hoje, que estavam aglomerados em dois suportes de armas e dois cestos. Não sei bem quantos bastões tinham, mas era coisa pra caramba!

Mas os bastões e lanças não representam "tijolos" também?

Sim. Mas para seus donos. Digamos que a "energia" do dono está presente em cada arma. Entretanto, os feitos realizados com aquela arma (treino, competições, aprendizado) são para seu dono e não para a academia. A partir do momento que o dono deixou a academia, sua arma não significa nada para a academia em si. O correto teria sido o respectivo dono levar sua arma para casa, que está "energizada" com suas experiências e lições. Mas às vezes simplesmente queremos deixar o passado para trás ou minimizar sua importância e isso é totalmente compreensível.

Mas, sendo prático e menos filosófico, as armas eventualmente podem ser usadas por outras pessoas no seu aprendizado. Ainda assim, sempre recomendo que cada aluno tenha sua própria arma. Sua arma. Sua energia. Suas conquistas.

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Baltimore 2011

Não, não errei o ano não. Estou falando sobre Baltimore do ano que vem mesmo...

O campeonato de Baltimore, realizado pela USKSF/TWKSF é um dos melhores que conhecemos. Grande parte do seu charme reside no fato de ele ser realizado em um hotel fantástico nos arredores da cidade. Mais precisamente aqui!

Além disso, é fantástica a experiência de competir em outro país com o seu Kung Fu. Ter acesso à outra cultura, outra forma de pensar e fazer coisas corriqueiras de forma diferente como pagar o metrô ou pagar barato por um café do Starbucks! =)

Mas, por outro lado, é bom ver que o nosso Kung Fu não deve nada para os competidores de outros países e sempre fomos muito respeitados lá fora por nossa qualidade técnica e ritmo.

Mas a idéia deste post é incetivar cada um dos nossos alunos a irem para Baltimore no próximo ano. Sim! Já estou falando do campeonato do ano que vem, sendo que o deste ano acabou ontem (ganhamos medalhas, mas não sei o resultado "oficial").

O propósito disso é gerar algo raro entre o povo brasileiro, mas quem vem mudando pouco a pouco: planejamento.

Para ir ao campeonato do ano que vem, será preciso: ter passaporte, ter visto de entrada nos EUA, ter dinheiro para a viagem e treinar. O "ter dinheiro para a viagem" se divide em três grupos: estadia+transporte, competição e lazer.

Para ter o passaporte basta procurar a Polícia Federal. As informações básicas estão aqui

Para ter o visto de entrada nos EUA (não-imigrante) é preciso procurar a Embaixada dos EUA. As informações básicas estão aqui. Tem mais algumas coisas na preparação para obtenção do visto que ajudam bastante a ter sucesso nesta parte, mas vamos falar mais sobre isso mais para frente.

A passagem aérea é o item mais caro do plano. Viajando pela TAM, a rota São Paulo - Nova Iorque - São Paulo sai por R$ 3.391,28. O valor pode ser parcelado no cartão de crédito, o que ajuda bastante. Outra coisa que ajuda é o fato de fazer a compra antecipada. No exemplo acima, fiz uma simulação de viagem com embarque amanhã e retorno na próxima semana. Quanto mais cedo se compra, mais barato se paga!

Adicione mais US$ 170,00 (R$304,00) para a passagem de trem entre Nova Iorque a Baltimore (ida e volta!) e mais uns US$50,00 (R$ 94,00) de táxi (ida e volta!) para o hotel e você terá algo bem próximo do gasto com transporte dentro dos EUA.

Sobre a estadia, os custos deste ano estão em US$ 120,00 por uma quarto com duas camas de casal, ou seja, em 4 amigos a diária sai por US$ 30,00/noite. Supondo uma estada de 5 dias, temos o valor de US$ 150,00 (R$ 282,00).

Para alimentação, considere US$ 10,00 por refeição. Com três refeições ao dia teremos US$ 150,00 para os 5 dias (R$ 282,00). Na região do hotel existem pequenos restaurantes e um mercado que permitem uma variedade grande no cardápio, sem fugir do orçamento.

No campeonato em si, a primeira categoria sai por US$ 85,00 e as subsequentes, por US$ 20,00. Vamos supor que você vá competir em 3 categorias, teremos US$ 125,00 (R$ 235,00)

Posso "passar a régua"? Em dólares teremos um total de US$ 645,00 (R$ 1.212,60). Somando a passagem de R$ 3.391,28, totaliza R$ 4.603,88.

Todo o valor adicional que você levar será reservado para a diversão, passeios, etc. Mas reforço, quem vai "apenas" fazer a rota para o campeonato no plano que citei acima já tem muita diversão garantida. O que vier além disso, com certeza, é um lucro e tanto.

Claro que esta projeção conta com o dólar turismo no valor de R$ 1,88. Ou seja, este valor pode variar para cima ou para baixo.

Agora falando sobre o treino: esta é a parte mais fácil! Você já está treinando! Basta ver o que gostaria de fazer no ano que vem e, por quê não, estabelecer uma meta pessoal, como por exemplo, chegar na faixa roxa e fazer o Pam Pou Kiu em Baltimore. Para um faixa branca este seria um belo desafio, não?

Como podemos ver, não estamos falando de valores baixos, mas também não é nada de outro mundo! Com planejamento, foco e determinação é possível dar-se este presente e fazer parte do Time TSKF em Baltimore 2011.

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Desafio Particular

Há algumas semanas, uma aluna nova (e muito boa) aqui da Vila comentou comigo ao final da aula, após escutar os avisos sobre o exame, que ela achava meio retrógrado esse formato que adotamos para as avaliações dos alunos.

Refletindo sobre isso devo dizer que talvez ela esteja certa.

Porém...esta metodologia é melhor que qualquer outra que eu conheça.
O exame começa na sua preparação. Diferentemente de outras escolas, não são os instrutores que decidem quando e onde os alunos devem fazer seus exames. O aluno é que deve tomar a decisão de querer mudar de faixa e avançar ao próximo estágio. É curioso, mas só isso já faz com que uma boa leva de novatos desista da academia, por medo de se expor, medo de enfrentar sua insegurança, etc, etc. Creio que isso tem a ver com o fato de que é o aluno mesmo que tem que tomar a decisão de avançar. Não há um agente externo (o instrutor) que decide por ele.

(em tempo: falando sobre medo, eu tenho medo de altura e tenho topado ir com minha esposa no Hopi Hari cuidar deste medo de vez em quando. Aos poucos até que estou me acostumando...)

A continuação do processo do exame vem na preparação para ele. É preciso chegar com uma hora de antecedência em relação ao horário que você marcou o exame. Parece simples também quando escrevo assim, mas não é.

Claro, andar de carro em São Paulo é um desafio e tanto para qualquer um, não é mesmo? Mas se todos os paulistanos sabem disso, por quê não há um preparo adequado para tanto? Não é raro algum aluno perder o horário do exame e, naturalmente, não deixamos ele entrar atrasado. Claro que existem situações atípicas e entendemos quando uma acontece. Muitas vezes elas saem do controle de qualquer um e merecem o tratamento adequado. Mas como eu disse, são situações atípicas. Planejar um caminho alternativo, sair mais cedo, marcar num horário de trânsito mais tranquilo...São várias opções para deixar a experiência do exame mais tranquila.

Outra característica do exame é que ele é fechado para o público. Pais, namorados, namoradas e etc. não podem ver o exame. Cito duas razões simples para isso: se o aluno fica nervoso em fazer as coisas na frente dos instrutores e do Mestre, ele vai se sentir mais confortável fazendo para um público 2 ou 3 vezes maior? Além disso, o exame é um desafio do aluno e não da família dele, portanto, é algo que ele deve enfrentar sozinho, contando apenas com sua habilidade e preparo. Não existem pontos de apoio a não ser em si mesmo. É impressionante como eu vejo muitas pessoas sairem amadurecidas e com a auto estima elevada depois de um exame.

Um último ponto do exame é a avaliação da técnica do aluno. Mas essa é a parte mais fácil e divertida do exame! Não é cobrado nada que não tenha sido passado em aula. As matérias são executadas e avaliadas na mesma ordem que são ensinadas em cada unidade e são avaliadas seguindo os mesmos critérios passados no momento do treino com o instrutor.

Temos assim um desafio particular ao aluno onde 49% tem a ver com a preparação e os outros 49% tem a ver com o treino. Só ter um aspecto destes dois prontos não garante o sucesso, mas ter os dois aspectos prontos permite uma margem de sucesso muito grande. "E os 2% que faltam?" -alguém poderá me perguntar. Deixo 1% para o Imponderável, tudo aquilo que pode acontecer que foge do controle de qualquer um.

O outro 1% deixo para o Lion Man. Nunca se sabe quando ele pode aparecer...

terça-feira, 6 de julho de 2010

Vários Papéis

O dia começa cedo para ela, mas por volta das 07h30 ela já está na academia e lembro que, nas semanas anteriores ao campeonato, eu sempre respondia "sim" à pergunta: "Danillo, posso pegar o bastão um pouquinho?"

Hoje em dia, vejo que ela está mais preocupada com as aplicações de Kon Li Kuen. Neste momento ela está às voltas com a aplicação 4. Isso não impede dela aproveitar a presença de um faixa roxa ou vermelha de manhã para treinar com um parceiro. Antes da aula começar, claro.

A aula começa e, fatalmente, ela está na fileira da frente, quando não é a mais graduada, a quem cabe fazer a chamada para nossa saudação inicial e começar mais um treino.

A Lourdes me chamou a atenção pela primeira vez quando eu ainda estava na TSKF Consolação. Com um bom humor inconfundível e, na época, acompanhada da sua filha Letícia, ela vinha treinar conosco, em especial para ver o William, um instrutor muito querido.

Acabei perdendo um pouco de contato com ela quando me mudei para a TSKF Mooca e, felizmente, depois acabei retomando este contato com força total aqui na TSKF Vila Madalena.

Apesar de ser muito presente aqui na academia (e todos nós gostarmos disso!), a Lourdes também desempenha vários papéis. Além de praticante de Kung Fu, ela trabalha ativamente no Serpro (Serviço Federal de Processamento de Dados), empresa que presta serviço para a Receita Federal. E não, ele não quebra galhos envolvendo a Declaração de Imposto de Renda. Eu já perguntei para ela outro dia... =)

Fora isso, ela também é mãe de duas moças e gosta de dança. E este gosto pela dança que a levou ao Kung Fu.

Ao se mudar aqui para a região da academia, ela começou a procurar um local onde pudesse praticar a dança, mas acabou encontrando, com a ajuda da filha, a nossa academia. Ela resolveu tentar a prática, já que as meninas estavam fazendo e gostando bastante. Ela conta que, em sua aula experimental, o Osvaldo disse à ela para "ir devagar, se não aguentar fazer tudo, pode parar, sem problemas..." Claro que ela ficou "mordida" com isso e fez toda a ginástica sem reclamar, mostrando sua motivação e preparo.

Ao perguntar à ela por quê ela havia escolhido o Kung Fu: "Eu sempre gostei de movimentar o corpo, por isso procurei a dança inicialmente, mas acabei gostando muito do Kung Fu. Faz bem para mim, tanto o exercício para o corpo quanto para a cabeça. E eu gosto também de mostrar que uma pessoa pode fazer qualquer coisa, o que quiser. Basta querer."

domingo, 4 de julho de 2010

Exercício e o Coração

Naturalmente, quando assistimos um telejornal, ou lemos algum artigo sobre nosso funcionamento cardíaco, dentre as recomendações para o controle da saúde desse importante sistema de nosso corpo, exercícios físicos estão sempre citados. Realmente, a prática de uma atividade física, é um dos fatores mais importantes para a regulação da fisiologia cardíaca, mas de que tipo de exercício estamos falando? E qual a razão com que estes influenciam nas características de nosso coração?

Para respondermos essas dúvidas, é preciso conhecer um pouco mais nosso corpo, mais especificamente, sobre o funcionamento de nosso sistema cardiorrespiratório. Brevemente, basta que saibamos o papel de nossa respiração sobre o sangue e a influência do transporte sanguíneo sobre o coração.

Quando inspiramos, aspiramos uma variedade de gases atmosféricos que serão transportados até nossos pulmões. Nos pulmões, o oxigênio é separado desses gases, e os gases que não nos foram importantes, são liberado na expiração. Além desse tipo de respiração, que é denominada respiração pulmonar, existe um outro tipo de respiração, (que é a que nos interessa) que dificilmente é compreendida pela população, a Respiração Celular.

Quando dizemos que o oxigênio é extraído dos outros gases que respiramos, estamos nos primórdios da respiração celular. Mais precisamente nos alvéolos pulmonares, cada molécula de oxigênio é depositada em nossa corrente sanguínea e ligada a uma hemoglobina (glóbulo vermelho) que cumpre o papel de transportar esse oxigênio para suprir cada célula de nosso corpo. Do mesmo modo, os glóbulos vermelhos presentes no sangue, se encarregam de transportar os restos metabólicos(como a gás carbônico) de cada célula. Quando os restos são moléculas de gás carbônico, ele é levado até os alvéolos pulmonares para ser extraído do sangue e ser eliminado pela expiração.

Onde nosso coração entra nessa história toda? Ele simplesmente é a máquina que realiza o processo mecânico de circulação sanguínea. Seus músculos (chamados de miocárdio) sofrem contrações que produzem o bombeamento que tanto nós conhecemos.

Se para treinarmos e ganharmos força no bíceps, fazemos exercícios localizados a fim de hipertrofiá-lo (ver artigo Hiperplasia x Hipertrofia) com o músculo cardíaco não é diferente. Quanto mais o treinamos, mais aumentamos sua capacidade volumétrica, alcançando altos níveis de aptidão física. Alguns tipos de exercícios, como o Exercício Aeróbico, contribuem fortemente pra isso, pois trabalham os grandes músculos do coração durante pelo menos 20 minutos.

Hipertrofiando o miocárdio, aumenta-se a volumetria sanguínea, ou seja, o coração começa a suportar cada vez mais volume de sangue, bombeando cada vez mais oxigênio, tornando a circulação mais eficiente.

Estudos mostram que a atividade física regular, contribui para a queda da freqüência cardíaca em estado de repouso, e um coração que bate lentamente é energeticamente mais eficiente do que um com batimentos rápidos. E com o aumento da eficiência circulatória, aumenta também a quantidade de hemoglobina, levando a formação de novos capilares sanguíneos nos músculos do nosso corpo, melhorando a distribuição de oxigênio.

Agora sim podemos entender porque os exercícios podem ajudar a combater e prevenir várias doenças cardíacas como taquicardia, arritmia, hipertensão, insuficiência cardíaca dentre outras que constantemente escutamos espalhadas pela mídia.

quarta-feira, 30 de junho de 2010

STD Sistema de Treinamento a Distância


Como vocês sabem a TSKF está sendo pioneira em diversos projetos relacionados ao Kung Fu. Vamos dar alguns exemplos.

1 – Projetamos e desenvolvemos o GOC Gerenciador Online de Campeonatos que permitiu que mudássemos o rumo e a história dos campeonatos de Kung Fu no Brasil. Hoje o nosso campeonato é parâmetro de qualidade, organização e profissionalismo graças a esse sistema que é inédito no mundo. Nenhum outro faz o que o nosso faz.

2 – GOA. Somos a única academia de Kung Fu que tem um sistema online via Internet interligando todas as nossas filiais desenvolvido especificamente pra nossa arte dentro do que necessitamos.

3 – TV e Rádio. Somos sem sombra de dúvidas a academia de Kung Fu que mais obteve visibilidade nesses veículos de comunicação. Nenhuma outra escola de Kung Fu aparece na TV tanto quanto a TSKF.

4 – DemoTeam mudou para sempre a cara das demonstrações de Kung Fu em aberturas de campeonatos que eram extremamente pobres e monótonas pra se assistir. Hoje nossa demonstração na Cerimônia de abertura do campeonato está mais para um Show Hollywoodiano, tudo isso porque sonhei e entreguei a tarefa nas mãos de pessoas como William, Anderson e Diego que são altamente responsáveis e capazes de realizar aquilo que eu imaginava e desejava.

5 – Time de arbitragem de Kuoshu que também era um dos meus objetivos onde entreguei a tarefa nas mãos de uma pessoa altamente responsável e capaz de levar a cabo aquilo que eu desejava que é o nosso caro sócio Danillo Cocenzo. Hoje sem sombra de dúvidas temos o melhor time de arbitragem de Kuoshu do Brasil.

6 – Patrocínio de alunos. Somos a única academia que patrocina com recursos próprios alunos pra campeonatos fora e dentro do nosso país.

Dessa vez estou escrevendo pra anunciar o lançamento de um sistema tão inédito e revolucionário quanto o GOC que revolucionou os campeonatos de Kung Fu aqui do Brasil. Assim como o GOC o STD Sistema de Treinamento a Distância é um sistema visionário e inédito que ensina Kung Fu a distância quebrando assim um dos maiores paradigma do Kung Fu que diz que não se pode aprender Kung Fu sem a presença de um mestre.

Acesse o Sistema de Treinamento a Distância através do nosso site: www.tskf.com.br

Esse sistema também é excelente pra você que é professor de Kung Fu e deseja ser certificado também em outro estilo. Inicialmente estaremos ensinando três estilos de Kung Fu através do STD a saber: Louva-a-Deus tskf (Shifu Gabriel), Shaolin do Norte Zhong Yi (Shifu Nelson Ferreira dos Estados Unidos) e Tai Chi Chuan tskf (Shifu Gabriel).

segunda-feira, 28 de junho de 2010

BIKFTC 3 - Em números

Desde 2008, eu faço algumas estatísticas sobre o nosso campeonato. Como há uma lacuna sobre algumas informações, por parte das Federações, acredito eu que estes dados ajudam a saber um pouco mais sobre qual é a "cara" do Kung Fu no Brasil.

O mais legal para mim é ver que a participação das mulheres no Kung Fu vêm crescendo. Em 2007 elas representavam 20% do todo. Hoje são 26%! Mais uma vez, mostra que o Kung Fu é para todos e todas! =)


quinta-feira, 24 de junho de 2010

Hiperplasia x Hipertrofia


Quando pensamos nos principais objetivos pela qual uma pessoa se motiva a prática de atividades físicas regulares, ‘perder peso’ não pode ficar fora dessa lista. Grade parte da população contemporânea, vê nas academias de musculação, ginástica e artes marciais, uma salvação e uma espécie de consolo ao exagero cometido no ato de comer. Se você é uma pessoa que tem essa meta ao praticar uma atividade, fique atento, pois o que você é hoje, e o que você pode alcançar, dependem de algo que muitas vezes nós tentamos esquecer, nosso passado.

Antes de se perguntar o porquê de relacionar algo que nós já fomos pra algo que nós podemos ser no futuro, tente lembrar como era seu tipo físico na infância e começo da adolescência. Se você era gordinho, com sobrepeso, ou até obeso, fique sabendo que terá muita dificuldade em perder peso na fase adulta. Mas se você foi uma criança magra, as chances de ter um peso ideal estão ao seu favor.

É simples, tudo se explica por dois fenômenos bioquímicos que a todo o momento agem dentro de cada parte do seu corpo, a Hiperplasia e a Hipertrofia. É mais provável que você já tenha ouvido esses termos numa aula de musculação, mas aquela barriguinha indesejada está intimamente relacionada a esses processos. Quando dizemos que um tecido sofre hiperplasia, é porque o número de células que o compunham aumentou, já quando dizemos que o tecido hipertrofiou, o tamanho de cada célula aumentou, por acreção de substâncias intracelulares.

Quando somos crianças ou pré-adolescentes, nosso corpo está sofrendo alterações de crescimento cuja velocidade nos deixa vulneráveis a vários estímulos externos, como a alimentação desbalanceada. Nessa fase nosso corpo tem muito mais capacidade de realizar hiperplasias do que hipertrofias, ou seja, nossos tecidos, quando crescem, criam sempre novas células, e dificilmente as deixam maiores.


Quando levamos nossas crianças aos fast food’s da vida, fazemos com que as gorduras que são ingeridas por elas, sirvam como tijolos que constroem novas células de gordura, chamadas adipócitos. Por isso, crianças gordinhas possuem grande número de adipócitos. O problema surge porque ao passar o estágio de crescimento, já na fase pós púbere, nossa capacidade de realizar hiperplasia diminui substancialmente, e a partir daí a hipertrofia entra em ação.

Mas porque se preocupar com o número de células adiposas? Pelo fato de que o número de adipócitos que tivemos quando crianças é relativamente o mesmo que temos hoje em dia. Com isso, crianças magras, são adultos com poucos adipócitos e crianças com sobrepeso são adultos com muitos adipócitos.

Para entender mais sobre a hipertrofia, digamos que o adipócito é uma sacola de super mercado vazia e dobrada e que lá com seus 12 anos de idade você possua muitas dessas sacolinhas em suas reservas de gordura. Quando crescer, as sacolinhas vão começando a encher e cada vez mais vão sendo cheias com gordura, até que estejam lotadas. Imagine o volume que todas aquelas sacolas tomaram, isso é o que acontece com nossos adipócitos na fase adulta, podem aumentar até 1000 vezes seu volume.

Se uma pessoa com muitos adipócitos come alimentos ricos em gordura, a digestão se encarrega de armazená-la em um dos adipócito, mas se a pessoa não tem saquinhos suficientes para armazenar, a gordura não é absorvida. Problema de quem tem muitos adipócitos, que sempre terão saquinhos sobrando para fazer a acreção de lipídios.


Resumindo, a única forma de um adulto que foi uma criança gordinha ter seu peso ideal atualmente, é não deixando que a gordura seja armazenada, e isso se dá de duas maneiras, gastando energia em exercícios e reeducando sua alimentação. E se você tem filhos e não quer que eles briguem com as balanças na fase adulta, crie hábitos saudáveis de vida e proporcione atividades físicas regulares para que a aparência física e o número de seus adipócitos sejam ideais.

segunda-feira, 21 de junho de 2010

BIKFTC 2 - Far Far Away

Na quinta-feira anterior ao campeonato, recebo uma ligação do Mestre com uma "missão": buscar no Terminal Rodoviário da Barra Funda um lutador que estava para desembarcar lá. O lutador tinha lugar incerto para ficar e nem sabia como se movimentar em São Paulo.

Não é uma tarefa fácil se deslocar do Itaim Bibi para a Barra Funda às 18h00, mas consegui encontrar algumas alternativas que me fizeram chegar lá em pouco mais de 40 minutos. Quase um milagre, na minha opinião...

Uma vez no desembarque do terminal, vejo um rapaz alto, caminhando lentamente ao longo da plataforma e na sua camiseta estava escrito "Super Liga Acreana de Kung Fu". Consegui encontrar o Romilson!

Sempre com jeito calmo e fala mansa, a serenidade do Romilson sempre me chamou a atenção pelo contraste com seu tamanho e ferocidade nas lutas. Eu tive a oportunidade de conhecê-lo quando visitei o Acre e já o vi lutando e já arbitrei lutas dele. Tempos difíceis para quem quer que seja seu oponente.

O que mais me chamou a atenção neste episódio foi a vontade de vir e disputar o campeonato. Ele não conseguiu vir junto com o resto do pessoal do Acre, sua mulher Mikelly inclusive. Exceto ele, todos conseguiram uma passagem de avião Rio Branco - São Paulo - Rio Branco. Ao Romilson coube uma passagem de ônibus para o mesmo trecho. Foram três dias e três noites viajando até aqui.

Isso não o impediu de ficar curioso a respeito de São Paulo e de toda a grandeza que a Av. Paulista tem no princípio da noite.

Isso também não o impediu de se divertir no encontro com o restante do pessoal do Acre.

E, claro, a longa viagem não o impediu de ganhar a luta de sua categoria e os R$ 1.000,00. Parte deste dinheiro foi gasto aqui em São Paulo mesmo, com um almoço para o povo do Acre e algumas comprinhas na Liberdade.

Na segunda após o campeonato ajudei-o a ir embora, onde novamente ele enfrentaria três dias e três noites no ônibus, de volta para a casa. Não sem antes deixar uma importante lição para todos que ficaram por aqui, na cidade grande.

O Romilson não deixou a distância e a dificuldade serem desculpas para deixar de vir ao campeonato e fazer o seu melhor. E, meu amigo, ele mora no Acre, o lugar mais Far Far Away do Brasil! Qual desculpa você tem coragem de dar para não fazer algo?

terça-feira, 15 de junho de 2010

BIKFTC 1 - Frases Soltas

O campeonato foi realmente algo único!! Parabéns à todos os envolvidos: atletas, dirigentes, professores, mestres, instrutores, voluntários e familiares. O que foi feito por todos neste final de semana mostra tudo o que pode ser o Kung Fu no Brasil e mais ainda pode ser feito e melhorado!

Tem bastante coisa para falar sobre o campeonato, mas vou reservar este primeiro post para frases soltas sobre diversos momentos.

"Welcome to São Paulo. We call this "congestionamento", which means fuc*&¨ng traffic..." Eu para os caras dos EUA na Marginal, às 10h30 da manhã de quinta.

"Saí de Rio Branco na segunda de noite..." Romilson do Acre, falando sobre o tempo que gastou na viagem para São Paulo.

"Tem um shorts e camiseta de brinde para professor?" Um professor me pedindo um brinde na pesagem de lutadores

"Claro que tem professor! Tá aqui ó!" Eu, em resposta, dando um abraço no professor.

"Buáááááááá" Meio mundo do Demo Team, assim que acabou a apresentação

"É da Vila p*&¨ra!" Osvaldo, sobre a classificação da categoria Tradicional Mãos Fu Xin Chuan, Masculino, Novato, Adulto.

"VC SAI DAQUI QUANDO EU MANDO, NÃO QUANDO VC QUER!!!" Sandro, Luiz Fabiano e eu para os lutadores...

"Alguém tinha que acertar uma porrada neste juiz chato" Alguém da torcida sobre mim.

"Ping, ping, ping..." Som do sangue do Luiz Fabiano caindo sobre sua camiseta, após levar um soco de um lutador.

Claro que houveram muitas frases sobre este evento, fiquem à vontade para acrescentar alguma ou algumas que vcs disseram ou ouviram nos comentários deste post!

sexta-feira, 4 de junho de 2010

Porque participar de campeonatos



Primeiramente eu gostaria de agradecer ao Shifu Paulo Silva pela oportunidade que me deu de escrever para a revista da Liga Nacional de Kung Fu.

Gostaria também de aproveitar a oportunidade pra dizer a todos que o Shifu Paulo Silva é, em minha opinião, a pessoa mais ética que conheço dentro da comunidade de Kung Fu aqui no Brasil. Nunca presenciei o Shifu Paulo Silva criticando ou falando mal de nenhum estilo ou mestre.

Quando ele me pediu que escrevesse algo pra sua revista eu comecei a pensar em alguma coisa que pudesse ser importante para o crescimento e desenvolvimento do Kung Fu no Brasil como um todo, então decidi escrever sobre a importância de participar de campeonatos.

Certa vez um grande palestrante que era uma pessoa de extremo sucesso me disse o seguinte; “Se você gosta de ler livros leia, se você não gosta de ler livros, leia também” Isso mudou para sempre a minha vida, pois, pude aprender muitas coisas e me tornar o que sou hoje, portanto, começo dizendo o seguinte; se você gosta de participar de campeonatos, participe e se você não gosta de participar de campeonatos participe mesmo assim.

Além disso, a competição desde a Grécia antiga tem sido um instrumento de união dos povos e é impossível que uma pessoa nos dias de hoje ainda não tenha entendido isso, haja vista todo o espírito que envolve o mundo quando da realização dos jogos olímpicos ou de uma copa do mundo de futebol.

Participar de campeonatos proporcionará a você e a seus alunos conquistar enormes benefícios além de manter a máquina do Kung Fu sempre em constante movimento. Como vocês bem sabem, ficar parado é uma boa maneira de se começar a regredir.

O primeiro benefício que vejo quando um aluno decide participar de um campeonato é que ele começa a treinar mais e, conseqüentemente sua técnica melhora consideravelmente, além disso, sua motivação aumentará, fazendo com que ele permaneça por mais tempo treinando em sua escola, dessa maneira, tanto ele quanto você será beneficiado, ou seja, a competição é um instrumento que pode fazer com que seu aluno permaneça treinando por mais tempo em sua escola.

A maioria dos seres humanos necessita de motivação pra continuar fazendo o que fazem por muito tempo. Acredito que todo professor ou mestre de Kung Fu sabe que o mais difícil quando se ensina Kung Fu é conseguir fazer com que seus alunos permaneçam treinando por longos anos em suas escolas. Eu particularmente acho impossível manter alunos treinando por muito tempo sem lhes dar desafios pelos quais possam se motivar a continuar treinando.

O segundo beneficio que vejo quando participamos de um campeonato é o beneficio de sair do isolamento e poder testar nossa própria técnica contra outros adversários, não pra derrotá-los, mas, simplesmente pra saber o quanto estamos evoluindo ou o quanto ainda precisamos evoluir. Quando somos derrotados num campeonato temos a oportunidade de aprender e corrigir nossa estratégia de treino e quando vencemos podemos saber que estamos no caminho correto. O campeonato serve, portanto, como um termômetro, tanto para o professor quanto para o atleta.

O terceiro benefício e um dos que eu acho mais importante é o de poder fazer amizades com outros atletas e mestres. Hoje sou grato ao Kung Fu por ter me dado a oportunidade de viajar, conhecer e fazer amizades com pessoas de lugares que jamais imaginei poder ter amigos, de países tais como Cingapura, Hong Kong, Alemanha, Espanha, França, África do Sul e Estados Unidos. Jamais imaginei poder conhecer e ser amigos de pessoas desses países e as competições me proporcionou isso.

Estou no Kung Fu a trinta anos e, nesses trinta anos o que eu mais escuto os mestres dizerem é que existe uma desunião muito grande entre mestres e praticantes. Sinceramente não vejo nenhum lugar melhor pra se fazer e manter amizades do que nos campeonatos, que é exatamente onde todos nós podemos nos encontrar pra fazer amizade, conhecer o trabalho do próximo e trocar experiências. Muitas vezes temos um pré-conceito de alguns mestres, mas, quando o conhecemos cara a cara percebemos o quanto a pessoa é bacana e sensata.

Infelizmente ainda escuto pessoas que tem pensamentos tacanhos e medíocres, tais como; não irei ao campeonato de fulano pra não enriquecê-lo, não irei ao de beltrano porque é desorganizado, não irei ao de cicrano porque é caro, não irei ao daquele porque é longe, não irei ao daquele outro porque a arbitragem é ruim e assim por diante.

Sinceramente, por experiência própria jamais perdi um único aluno se quer por ter participado de campeonatos ruins. Pra tudo nessa vida existe uma boa estratégia pra que possamos transformar uma experiência ruim em algo positivo e vantajoso pra nós. Tudo depende de como direcionamos o nosso pensamento a respeito das coisas e o que fazemos a respeito. Sou partidário daquele ditado que diz “se lhe derem um limão, faça uma limonada”.

Minha escola tem participado dos campeonatos da Liga Nacional de Kung Fu já a muitos anos e posso garantir que hoje é um dos melhores campeonatos do Brasil e tenho certeza de que nenhum de vocês se arrependerá de participar do próximo campeonato, portanto, espero encontrar todos vocês no próximo campeonato.

segunda-feira, 31 de maio de 2010

Mais um Passo

Quando o Demo Team começou, creio que todos sabiam que teríamos muito trabalho pela frente. Treinos com sol, treinos com chuva, treinos com frio, entre outras coisas.

Pudemos observar pessoas chegando, pessoas saindo e pessoas mudando ao longo deste período de treino. Algo atá natural para um grupo tão grande de pessoas. Vejo que tivemos na verdade, ao longo destes meses, um período de adaptação, onde algo novo foi encaixado no Universo e as arestas foram aparadas para que esta nova coisa fique não apenas bem encaixada, mas que funcione de forma adequada e renda os frutos que são esperados.

Ontem cumprimos mais uma etapa da jornada do Demo Team: realizamos a nossa apresentação para o Mestre. Este é mais um passo importante para nosso grupo, em última análise, foi o Mestre que permitiu que tudo isso acontecesse, nada mais natural então que ele seja nosso primeiro espectador.

Meus cumprimentos ao belo trabalho realizado pelo William, Anderson e Diego. Realmente é um trio de muita qualidade, que souberam colocar seus corações neste trabalho e que a emoção
sentida por eles possa ser expressada na ponta de nossas bandeiras, facões, espadas, bastões, leques, lanças e punhos em cada uma das execuções de nossa coreografia.

Claro que ainda não é o momento de nos sentirmos plenamente realizados, pois temos outro passo importante a ser tomado: fazer a abertura do nosso campeonato.Depois disso, mais passos virão, um deles já dito pelo Mestre Gabriel: realizar a demonstração na FAMEC, em setembro.

Assim, vamos com um passo por vez e não devemos esquecer de aproveitar a estrada e crescer durante o caminho. O resultado já está aparecendo no sentimento de realização de cada um.

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Através do véu

Sempre que eu penso em um véu, me vem à cabeça aquelas mulheres que fazem Dança do Ventre. Espetáculos à parte, é curioso o papel que o véu exerce. Ele mostra e esconde ao mesmo tempo, não revelando a plenitude da beleza da dançaria. O rosto só é revelado para os que têm o privilégio da proximidade com a dançarina.

O Kung Fu também usa um véu, mas de uma forma não muito boa. Muitas vezes atendo pessoas na academia que vêem nossa Arte de forma difusa. Perguntas como: "mas eu posso fazer, mesmo estando com 30 anos?", "mulher também pode treinar?" e "eu tenho tendinite, não dá para treinar, né?", são dúvidas costumeiras. Naturalmente, meu trabalho é mostrar que o Kung Fu é para todos e trata-se de uma Arte inclusive, que não prioriza idade, sexo ou condição física.

Mas como fazer com as pessoas que não procuram a academia? Afinal, pode acontecer de muita gente gostar e se interessar pelo Kung Fu, mas acabam se privando da prática por verem as coisas através do véu.

É aí que nosso campeonato entra uma vez mais. Esta é mais uma das razões para ele ter a entrada franca. Isso permite que os atletas, alunos e escolas tragam seus amigos e familiares para ver um pouco mais do que é o Kung Fu, sem nenhum véu. As formas, as lutas, os Toi Tchas, tudo está ali para ser visto, apreciado e também medido.

Por isso incentivo à todos que convidem suas famílias para verem o campeonato, assim como seus colegas de trabalho, amigos, enfim, a comunidade em que você está inserido. O Kung Fu, a Arte que você pratica, merece crescer e se tornar mais popular. E isso só será possível com o engajamento de seus praticantes.

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Foco na solução e não no problema

Muitas vezes, por mau hábito, temos a tendência a nos focarmos em um problema e mantermos nosso esforço e energia nele e não na sua consequente solução.

Ontem assisti ao filme "Metro 123" com John Travolta e Denzel Washington e uma cena em especial me chamou a atenção (vou contar de uma forma que não estrague o filme, ok?). Em uma determinada cena, o personagem de Denzel deveria cumprir uma tarefa especialmente difícil e arriscada. Antes de partir para a execução, ele ligou para sua esposa contando o que iria acontecer. Naturalmente, a esposa ficou muito assustada e tentou impedí-lo de realizar a tarefa. Ela estava se concentrando no problema (o risco da tarefa).

Após um breve, e dramático, diálogo a esposa mudou sua abordagem. Ela pede para que ele, ao voltar para casa, traga leite.

O que mudou? Simples, ela parou de se concentrar no risco da tarefa (o problema) e focou-se na solução. Claro, a solução não é o leite, mas sim a confiança na capacidade do marido em realizar a tarefa, uma vez que não havia mais nada a ser feito.

Quantas vezes ficamos concentrados em um problema e não conseguimos avançar para a solução por causa disso? Ficamos tentando encontrar culpados, ficamos ruminando um problema por dias e até meses à fio. Todos fazemos isso vez ou outra.

A diferença entre os vencedores e os perdedores está no treino mental. Você pode sim ficar parado contemplando e lamentando o problema ou você pode agir para solucionar o problema. A decisão é sua. O benefício e o prejuízo também e de ninguém mais.

Isso me lembra um exemplo contado pelo nosso Mestre. A despeito do que muitas pessoas devem pensar, ele mesmo já reprovou em exame. Não uma vez. Quatro vezes. Imaginem se ele tivesse ficado concentrado no problema..."Não levo jeito para isso", "meu joelho dói", "meu cavalo não está na altura ideal". Uma vez, vá lá, mas falhar quatro vezes na mesma coisa faz a maioria pensar se vale a pena seguir com isso. Mas quando há o foco na solução e não no problema, o negócio pode ser diferente. Cada reprovação servirá como impulso para treinar mais o que deve ser treinado, até que a técnica fique como se deve. Foi isso que ele fez. O resto da história já conhecemos.

E você? Prefere manter seu foco no problema ou na solução?

Para quem quer ver o filme é esse aqui ó