quinta-feira, 24 de junho de 2010

Hiperplasia x Hipertrofia


Quando pensamos nos principais objetivos pela qual uma pessoa se motiva a prática de atividades físicas regulares, ‘perder peso’ não pode ficar fora dessa lista. Grade parte da população contemporânea, vê nas academias de musculação, ginástica e artes marciais, uma salvação e uma espécie de consolo ao exagero cometido no ato de comer. Se você é uma pessoa que tem essa meta ao praticar uma atividade, fique atento, pois o que você é hoje, e o que você pode alcançar, dependem de algo que muitas vezes nós tentamos esquecer, nosso passado.

Antes de se perguntar o porquê de relacionar algo que nós já fomos pra algo que nós podemos ser no futuro, tente lembrar como era seu tipo físico na infância e começo da adolescência. Se você era gordinho, com sobrepeso, ou até obeso, fique sabendo que terá muita dificuldade em perder peso na fase adulta. Mas se você foi uma criança magra, as chances de ter um peso ideal estão ao seu favor.

É simples, tudo se explica por dois fenômenos bioquímicos que a todo o momento agem dentro de cada parte do seu corpo, a Hiperplasia e a Hipertrofia. É mais provável que você já tenha ouvido esses termos numa aula de musculação, mas aquela barriguinha indesejada está intimamente relacionada a esses processos. Quando dizemos que um tecido sofre hiperplasia, é porque o número de células que o compunham aumentou, já quando dizemos que o tecido hipertrofiou, o tamanho de cada célula aumentou, por acreção de substâncias intracelulares.

Quando somos crianças ou pré-adolescentes, nosso corpo está sofrendo alterações de crescimento cuja velocidade nos deixa vulneráveis a vários estímulos externos, como a alimentação desbalanceada. Nessa fase nosso corpo tem muito mais capacidade de realizar hiperplasias do que hipertrofias, ou seja, nossos tecidos, quando crescem, criam sempre novas células, e dificilmente as deixam maiores.


Quando levamos nossas crianças aos fast food’s da vida, fazemos com que as gorduras que são ingeridas por elas, sirvam como tijolos que constroem novas células de gordura, chamadas adipócitos. Por isso, crianças gordinhas possuem grande número de adipócitos. O problema surge porque ao passar o estágio de crescimento, já na fase pós púbere, nossa capacidade de realizar hiperplasia diminui substancialmente, e a partir daí a hipertrofia entra em ação.

Mas porque se preocupar com o número de células adiposas? Pelo fato de que o número de adipócitos que tivemos quando crianças é relativamente o mesmo que temos hoje em dia. Com isso, crianças magras, são adultos com poucos adipócitos e crianças com sobrepeso são adultos com muitos adipócitos.

Para entender mais sobre a hipertrofia, digamos que o adipócito é uma sacola de super mercado vazia e dobrada e que lá com seus 12 anos de idade você possua muitas dessas sacolinhas em suas reservas de gordura. Quando crescer, as sacolinhas vão começando a encher e cada vez mais vão sendo cheias com gordura, até que estejam lotadas. Imagine o volume que todas aquelas sacolas tomaram, isso é o que acontece com nossos adipócitos na fase adulta, podem aumentar até 1000 vezes seu volume.

Se uma pessoa com muitos adipócitos come alimentos ricos em gordura, a digestão se encarrega de armazená-la em um dos adipócito, mas se a pessoa não tem saquinhos suficientes para armazenar, a gordura não é absorvida. Problema de quem tem muitos adipócitos, que sempre terão saquinhos sobrando para fazer a acreção de lipídios.


Resumindo, a única forma de um adulto que foi uma criança gordinha ter seu peso ideal atualmente, é não deixando que a gordura seja armazenada, e isso se dá de duas maneiras, gastando energia em exercícios e reeducando sua alimentação. E se você tem filhos e não quer que eles briguem com as balanças na fase adulta, crie hábitos saudáveis de vida e proporcione atividades físicas regulares para que a aparência física e o número de seus adipócitos sejam ideais.