sexta-feira, 31 de março de 2017

Perfeição: três problemas e um segredo

Há uma lenda antiga que conta sobre uma mulher que tinha habilidades incríveis com a espada. Ela podia derrotar qualquer adversário facilmente, mesmo que fossem vários a atacando ao mesmo tempo. A Dama de Yue aprendeu todas as suas habilidades sozinha, sem nenhum tutor. A vida isolada a fez criar um método de combate infalível. “Armado com a teoria deste método, um pode resistir cem e cem podem resistir dez mil”. A ideia de uma técnica perfeita ou um lutador invencível está diretamente ligada ao misticismo do Kung Fu.

Se há algo em comum entre todo praticante (de longa data) de Kung Fu é que eles almejam a perfeição. Kung Fu é uma habilidade adquirida pelo trabalho árduo e para desenvolver uma habilidade é necessário ter um nível de exigência acima da média.

A maioria dos filmes de Kung Fu trabalham com a noção de que através do treinamento, o praticante (no exemplo, o protagonista) adquire habilidades que o tornam superior a todos os outros. O herói que enfrenta um exército inteiro e sai ileso e vitorioso é o guerreiro ideal. Esse alcançou um nível de maestria que o torna perfeito.

Não é atoa que quando assistimos uma demonstração de Kung Fu ficamos boquiabertos quando o praticante executa manobras difíceis que tem tudo para acabar em um acidente, só que, no final, ele a encerra com perfeição. Isso também explica como nos decepcionamos quando uma belíssima e bem executada técnica falha no último momento. Damos mais atenção a um erro do que dez acertos, simplesmente porque queremos ver algo perfeito.

A ideia da perfeição em si é boa, mas ela não é somente inalcançável como desestimulante. Os praticantes de Kung Fu (e também de outras artes) podem cair na armadilha de se fixarem na perfeição. Isso trás péssimas consequências.

Uma delas é a estagnação. Na nossa mente temos uma ideia de perfeição. Quando vemos que ela não corresponde com a realidade, vem a decepção. Se você pratica Kung Fu e executou uma forma que foi filmada, você já deve ter sentido isso. Enquanto você executa sua forma você dá o seu melhor, faz tudo como você treinou, não houve nenhuma falha que você pudesse perceber. Mas ao ver o vídeo de sua própria execução você percebe que o arco e flecha desalinhou, que seu salto não foi tão alto e que faltou força no final da técnica. Ver que não se é tão bom quanto se esperava pode ser traumático e levar ao desânimo. Ao invés do praticante se comprometer mais com o treino ele simplesmente desiste, pois é mais fácil justificar para você mesmo que a ausência da perfeição foi por conta de N outros motivos do que pela dificuldade em se aceitar como imperfeito.

Em contrapartida, pode ocorrer o oposto. Ao invés de ficar no mesmo lugar, a pessoa passa a querer sempre a começar de novo. Procura outra escola ou até mesmo uma outra atividade. É reconfortante iniciar algo novo, pois a cobrança sobre um novato não é grande, afinal você acabou de começar a treinar. Assim, ninguém espera que sua execução técnica seja perfeita. A falha, para o iniciante, não é só aceitável como também é esperada. Porém, essa atitude é um paliativo, um curativo para o ego, que não trará nenhum benefício em longo prazo. A habilidade verdadeira vem com a superação dos obstáculos que surgem com o tempo. Ao contrário, aquele que sempre recomeça mantém-se sempre limitado ao início.

Mas há outra atitude que surge no praticante que almeja a perfeição que é boa e ruim ao mesmo tempo: a exigência. O praticante de Kung Fu compromissado com ele mesmo passa a ter um olhar crítico para sua técnica. Ele vê sua performance e trabalha em cima dela, buscando se aperfeiçoar. Ele encara os desafios com convicção de que com o esforço necessário será possível superar seus limites. Isso tudo é muito bom, porém pode acontecer da pessoa criar um nível de exigência irreal que nem ele nem seus pares podem conseguir. Essa pessoa passa a ser infeliz, pois vive sempre frustrada com suas falhas e deixa de enxergar seu progresso. Se o praticante não vê progresso nele mesmo e não valoriza suas melhoras, ele eventualmente irá desistir da prática.   

Tudo o que foi dito não nega a importância de se lutar pela perfeição. Ela é essencial para todo artista marcial (em qualquer arte, na verdade). Sem a ideia de perfeição não temos o que almejar, temos a flecha, mas não o alvo. Porém é preciso entender que esse alvo é como o horizonte, ele está lá, sempre presente, mas é também inalcançável. Podemos nos esforçar ao máximo, nos dedicar durante toda vida e mesmo assim nunca alcançaremos a perfeição. Ela é um ideal regulador, algo que, mesmo não sendo possível, é necessário para sabermos onde queremos chegar.

O artista marcial que procura se aperfeiçoar deve sempre ter em mente o ponto de partida  (quem ele era antes de iniciar a prática), o ponto onde ele quer chegar (o ideal de perfeição) e o caminho que ele percorreu (todas as melhorias, desafios e conquistas). Sem essa consciência é bem provável que se caia em um perfeccionismo vão, que só cria problemas e não resolve nenhum.

Essa ideia do ideal regulador é praticada dentro do Kung Fu, pois temos nossos professores e ídolos marciais para nos inspirar. Assim, eles se tornam nosso ideal regulador em um primeiro momento. Depois, a prática vai nos mostrando que a realidade não é perfeita (e nós muito menos), o que nos leva a aceitar nossas falhas como fases de uma grande jornada. A consciência da imperfeição torna possível almejar a perfeição sem se perder dentro dela. A partir disso podemos agir para sanar as falhas na medida do possível.

Com a prática marcial aprendemos que projetamos nossos ideais de perfeição no mundo. Isso leva  compreensão de que fazemos isso com todos os aspectos de nossa vida: Desejamos um relacionamento perfeito com as pessoas, mas isso não é possível. Sempre há atritos e brigas no meio dos bons momentos. Também queremos uma profissão perfeita, que nos mantenha sempre motivados e que seja agradável o tempo todo. Porém isso é impossível, em qualquer trabalho, há tarefas e fases desagradáveis ou desgastantes. A mesma coisa é verdade na sociedade. Nunca haverá um mundo perfeito, sempre teremos problemas para resolver e novos ideais a almejar.


No final das contas a prática do Kung Fu é um caminho eterno, pois ele pretende alcançar algo que não existe no mundo. Mas podemos entender que toda arte é assim: ela tenta trazer para o mundo imperfeito algo que é sublime. Por isso a arte é tão importante para a humanidade. Ela nos mostra as possibilidades de nossas ações quando são lapidadas pelo treino. Mas as possibilidades só se concretizam no momento em que aprendemos a aceitar os vários obstáculos e tropeços da jornada.

Jonas Bravo
TSKF Padre Eustáquio



sexta-feira, 3 de março de 2017

O ciclo vicioso da ausência

O ser humano possui uma capacidade fantástica de se adaptar à realidade em que é inserido, o que o leva a naturalmente se acomodar em cima da sua rotina. Essa característica pode ser um fator bom, e ajudar à realização de grandes coisas, porém pode ser algo tremendamente ruim, tirando a pessoa de seus maiores objetivos.

É certo que quando se pratica uma arte marcial, você não terá 100% de seu tempo disponível para ela, e nós da TSKF compreendemos bem esse ponto (se buscará o aprimoramento individual, dentro do próprio ritmo). Haverá vezes em que o trabalho exigirá tanto que nem sequer conseguirá treinar naquele dia, ou naquela semana, serão aqueles “dias insanos” que nos abalam de vez em quando. Isso faz parte da imprevisibilidade da vida, e acontece e acontecerá com todos os alunos.
O que pode acontecer diante disso é o praticante acabar se apegando a essa mentalidade de “dia corrido” e usar isso para justificar para si mesmo toda ausência que tiver com o seu treino semanal. Como o mestre diz, a pessoa cria uma “muleta”, se apoia nessa desculpa e torna a sua ausência algo rotineiro. Acontece pensamentos como:

“Poxa, segunda-feira realmente é puxado, é começo de semana, eu treino amanhã”
“Poxa, saí tão cansado do trabalho que é melhor eu nem ir, não vai render, treino outro dia”
“Caramba, to há tanto tempo sem ir no Kung Fu que se eu for hoje vou sair todo doído, melhor eu ir semana que vem”

E nesse ciclo vicioso, algo que é muito prazeroso para a pessoa, acaba se tornando um fardo, justamente porque aquele pensamento “muleta” não te deixar retornar aos seus treinos.
Acaba que a pessoa quando por fim tem tempo, já vai para um barzinho ou arruma outra desculpa qualquer, esperando o suposto “dia perfeito” para treinar novamente (que nunca chegará).

Se isso acontece ou já aconteceu com você, espero que se lembre de algumas observações:

1 - Não existirá condição PERFEITA para se treinar. O treino irá doer, e a dor te fará crescer. Fugir dela é aceitar a própria estagnação de seu corpo e sua mente.
 Segue algumas frases que me motivaram a ter esse foco com clareza:

"Se você esperar pelas condições ideais, nunca realizará nada". -Anônimo
"A vida é para ser um desafio, porque os desafios são o que fazem você crescer". - Manny Pacquiao
"Aqueles que não encontram tempo para se exercitar terão que encontrar tempo para doenças". -Earl of Derby
"Oitenta por cento do sucesso está no estar presente" -Woody Allen

2 – Não se deixe enganar, não procrastine, chute sua “muleta”. Como o próprio Wu De pela visão da TSKF já nos mostra, seja honesto com os seus compromissos, honre-os. Não fale que você quer melhorar se não está disposto a encarar isso de frente! 
“Ser honesto é ser congruente com o que se diz, mesmo que diga apenas para si mesmo.” – Wu De, pág.28 


Não deixe as imprevisibilidades abalarem sua força, você sempre será maior do que elas!
Se o Ciclo da ausência te pegar, corra para a TSKF mais próxima!
Bom treino!

Nicollas Conti
TSKF Itaim



sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

Kung Fu e a Procura dos Desesperados

"O Kung Fu será para você aquilo que você desejar que ele seja" Quando eu criei essa frase, não foi com a intenção de dizer para os alunos, que sua academia, seu mestre ou o Kung Fu, existe para satisfazer seus caprichos. Hoje em dia as pessoas acreditam que porque estão pagando, temos que satisfazer seus desejos. Isso pode ser verdade por ai, não na nossa escola. 

É muito comum quando alguém quer treinar Kung Fu idealizar certo tipo de academia, certo tipo de mestre e certo tipo de Kung Fu, principalmente pelo que viu nos filmes. Por conta disso, quando começam a treinar acham que essas coisas têm que se adaptar ao seu ideal e não o inverso.

Quando essas pessoas entram numa boa escola, onde existem certos protocolos, como, por exemplo, regulamentos e normas de conduta, elas logo se decepcionam e pensam: “Nossa onde já se viu tratar um cliente dessa maneira”, então, inventam uma desculpa e vam embora.

Tão comum quanto esse tipo de aluno, existe também aquele que já atingiu certo nível e que, por conta disso, desenvolve sua própria tese do que seria uma boa escola ou um bom mestre, então, sai à caça dessa nova escola e desse novo mestre que poderia satisfazer seu ideal imaginário.

Existe também o aluno orgulhoso, aquele que não se curva, nem à sua escola nem ao seu mestre. Esse tipo é aquele que insiste em querer fazer as coisas à sua própria maneira, porque acredita que está acima delas, querem sempre dar um jeitinho para provar que são melhores que os demais, portanto, não precisa disso.

Esses tipos de alunos jamais encontram o que procuram, passam a vida inteira pulando de galho em galho, de escola em escola, de estilo em estilo, de arte marcial em arte marcial, esperando que alguma delas reconheça o seu valor e satisfaça os seus caprichos. Por fim, como isso raramente acontece, encerram suas carreiras, e se tornam ex. praticantes de alguma coisa e peritos em coisa nenhuma.

Lembre-se “O Kung Fu será para você aquilo que você desejar que ele seja”, mas, não será sua escola, seu mestre ou seu estilo que fará isso por você, mas, você mesmo. Sua escola e seu mestre ensinam para todos de uma mesma maneira, respeitando os limites de cada um, portanto, não espere que eles se adaptem às suas necessidades. Já foi dito que o pior dos erros seria alguém tentar agradar a todo mundo. Nem Jesus Cristo conseguiu isso.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

Para que Serve o Kung Fu nos Dias Atuais


Se você parar para pensar um pouquinho, você perceberá que nos dias de hoje, raramente ou nunca você usará o seu kung fu para se defender, mas, se você pensar na sua vida, no seu dia a dia, você encontrará oportunidades para usá-lo praticamente todos os dias.

Podemos dizer que o kung fu é uma filosofia de vida. Grosso modo, ele significa habilidade, mas, habilidade em que? Eu diria que em tudo, inclusive em luta, mas, hoje, nossas lutas não são mais travadas nos campos de batalha, mas sim, nas empresas, no trabalho, na família, na escola e assim por diante.


Enquanto empregados, aguentando chefes incompetentes, cumprindo prazos apertados, conquistando novos clientes, tratando com clientes difíceis, evitando que puxem nosso tapete, tentando dar o nosso melhor para que possamos ser reconhecidos, e assim por diante.
Quando somos empresários nossas batalhas são ainda maiores, como, por exemplo, suportar elevadas cargas de impostos que consomem o nosso lucro, pagar as contas, aluguel, água, luz, fornecedores, etc. e ainda sermos tratados com mercenários pelas pessoas.
Na família nossa batalha não é muito diferente, pagando as contas, aluguel, água, luz, alimentação, imposto de renda, IPVA, educação dos filhos, etc. Cuidando da família, acompanhamos nossos filhos evitando que sigam um mau caminho, fugimos da bandidagem e, assim por diante.
A TSKF usa o kung fu como uma ferramenta de desenvolvimento humano, onde a mente é desenvolvida através do trabalho árduo do corpo, da disciplina, da paciência e da perseverança. Por exemplo, quando você suporta um treino duro, ou agüenta ficar na posição do cavalo, você não está treinando somente o corpo, mas também a mente, para poder suportar adversidades que possam surgir na sua vida, como, por exemplo, a perda do seu emprego ou de um ente querido.
Quando você é obrigado a ser humilde, cumprindo os regulamentos da academia ou, tendo paciência e perseverança esperando o tempo certo para aprender, você não está apenas se curvando às ordens, mas sim, se lapidando interiormente para coisas mais sublimes.
Saiba que quando buscamos a perfeição em nossos movimentos, isso não é apenas para que o nosso kung fu fique bonitinho, mas sim, para que isso reflita em nossa mente, fazendo com que depois de um tempo ela fique adestrada para automaticamente buscar a perfeição em tudo aquilo que fazemos.
Eu criei uma frase que diz o seguinte: ”O kung fu será para você aquilo que você desejar que ele seja” e, nós da tskf, ensinamos o kung fu para que você vença suas batalhas do dia a dia, na sua empresa, no seu trabalho, na sua família e na sua vida como um todo.
Acreditamos que o melhor kung fu é aquele que supre as suas necessidades e, esperamos que treinando conosco você se torne uma versão melhor de você mesmo. Esse é o nosso desejo, e é por isso que ensinamos kung fu.

quarta-feira, 21 de dezembro de 2016

TSKF Entrevista #10

Hoje estamos recebendo para a nossa Última Entrevista o Instrutor Piero Tubino, Sócio e Instrutor da TSKF.

Piero Tubino começou a treinar Kung Fu aos 11 anos. Em setembro de 2012 começou a dar aulas na TSKF Matriz, enquanto ainda cursava o ensino médio na escola, onde pode observar e aprender os primeiros passos sobre como dar aulas com o próprio Mestre Gabriel.

Participou de diversas competições no Brasil em competições nacionais e internacionais. Um dos eventos que mais marcou sua trajetória foi a convenção da TSKF, onde, em sua visão, conseguiu observar a grandiosidade da TSKF, através da organização do evento, das demonstrações e dos discursos feitos pelo Mestre Gabriel, explicando que todos podemos ser melhores do que somos, mesmo partindo do zero.

Em junho de 2014 foi graduado faixa preta e, de 2012 para cá, passou por várias filiais (Moema, Campo Belo, Mogi das Cruzes) antes de se tornar sócio e líder da TSKF Consolação, em 2015.

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Piero, como surgiu o interesse pelo Kung Fu? 

Eu gostava muito de filmes de lutas, gostava de ver o desenho do Avatar e me encantava com a beleza dos movimentos. Como toda criança eu tentava imitar.

Bom, aos meus 11 anos de idade, eu morava na Rua augusta perto da Paulista.

Ia para escola de manhã e, nessa época, a TSKF Consolação estava sendo construída. Eu via todos os dias gente entrando e saindo, eu tinha visto uma placa escrita Kung Fu. Daí me surgiu o interesse em querer conhecer! 

Nessa época eu estava muito acima do peso e era uma criança que tinha muitos medos.  Isso me dava muita insegurança.  

Após a aula experimental, o professor da unidade havia explicado todos os benefícios que o Kung Fu traria para mim. Eu tinha me encantado com a aula (ao ponto de achar que eu ia dominar os quatros elementos! Hahah)! 

O que te fez trabalhar com o Kung Fu?

Eu gostava muito de fazer o Kung Fu, mas tinha uma coisa que me chamava muita atenção. Era o jeito que o meu professor me tratava, me ensinava... eu gostava era de como ele me ensinava, fantasiando umas lutas, me explicando cada golpe, brincando e me divertindo. Eu olhava isso, e o desejo de ser igual a ele começou a surgir, queria ser igualzinho a ele. Queria poder ajudar outras pessoas da mesma maneira de como ele fazia! 

Como eu tinha 13 anos ainda não podiam dar aulas e nem era faixa marrom, então eu ficava em casa imaginando, dando aula, cuidando da parte da secretaria, matriculando pessoas para treinar comigo! Tudo na imaginação...

E isso foi aumentando meu desejo de ser um Instrutor! 

Jamais posso esquecer que esse desejo de ser instrutor, foi aumentado pela Shimu Ana, esposa do Mestre Gabriel. Eu e ela conversávamos muito de como era ser instrutor. 

Lembro até hoje que ela me deixou fazer uma carteirinha, parece algo simples, mas para mim foi: “CARAMBA FIZ A CARTEIRINHA! ” Apesar de ter conseguido fazer errado!

Hoje sendo Líder da Unidade da Consolação, como você vê a evolução do Kung Fu no Brasil? 

Ainda tenho muito que aprender e ter esse olhar que o Mestre Gabriel tem! 

Mas o que posso dizer com a pouca experiência que tenho é que o Kung Fu no Brasil ainda precisa crescer mais. No sentindo de que as escolas devem se unir para se ajudar e não ter aquela coisa de dizer que meu Kung Fu é melhor que seu... 

Se unido, o Kung Fu seria imbatível, não teria para ninguém!  

Mas acredito que já evoluiu muito, com o que eu ouvia das histórias! 

Qual foi o Campeonato de Kung Fu que mais lhe marcou? Por quê?

Foi o campeonato da TSKF em 2009. Eu era faixa verde, e como eu tinha meus medos, nesse campeonato eu me tremia todo, literalmente!!! 

Mas foi um passo muito importante para minha vida! Hoje eu entendo porque o Mestre Gabriel diz: “ Quando você entra na área de competição, você entra uma pessoa e quando sai, sai outra pessoa”.

Quando sai da área, percebi que não doía e que era boa a sensação de estar no controle! Hoje tenho muita mais confiança para entrar numa área de competição! Graças a esse primeiro passo dado! 

Dentro da TSKF qual foi a sua maior conquista?

Não diria que foi uma conquista, mas foi quando meu professor ficou sozinho na academia e eu o ajudava, não só eu, como meus colegas. Éramos um time, e ficávamos para ajudar nosso professor. E um dia qualquer, no finalzinho de uma aula bem cheia, eu fui presenteado com uma medalha por mérito! Por ficar e ajudar a academia na hora mais difícil! Isso para mim é uma conquista! 

Mas tenho outra coisa que me deixa orgulhoso: eu era faixa vermelha e estava treinando para o exame. Nessa época já sabia que queria ser instrutor (só faltava a faixa marrom) e eu treinava muito todos os dias, fazia aula e depois da aula ficava mais umas horas repetindo e repetindo! 

Após o exame, o próprio Mestre Gabriel me chamou na sala dele, para dizer que teria minha chance de ser instrutor! E isso para mim foi umas mais puras felicidades que já havia sentido! E, é claro, a minha nota de exame tinha sido 8,40! Rs! 

Toda grande pessoa tem grandes Mestres, quais sãos os seus Mestres, que você se inspirar para ser essa pessoa que é hoje?

Sem dúvida nenhuma é o Mestre Gabriel e o Shifu Danillo! 

Eu me inspiro no Shifu Danillo. O Mestre Gabriel falava que o Shifu Danillo era o George Clooney do Kung Fu. Por que ele tem uma maneira fantástica de explicar ou de conversar com uma pessoa. E isso me inspira, porque quero ser um grande comunicador igual a ele. Um verdadeiro Gentleman! 

Como você vê a TSKF daqui 10 anos?

Eu vejo uma academia muito maior do que já é! 

Eu vejo a academia TSKF como a melhor e a maior academia de todos os tempos! 

Obrigado! 



quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

TSKF Entrevista #9

Hoje estamos recebendo para a nossa nona Entrevista o Shifu Antonio Carlos, Sócio da TSKF.

Shifu Antonio iniciou seus treinos no Kung Fu aos 24 anos. É técnico em eletrônica, ex praticante de Capoeira e em 2004 começou a dar aulas na TSKF Matriz, onde atua até hoje com as turmas da manhã de Tai Chi e Kung Fu.

Graduou-se faixa preta no final de 2006 e, em 2007, ajudou a abrir a TSKF Casa Verde, onde atua como sócio líder até hoje.

Já participou de diversos campeonatos em São Paulo e no Paraná, conquistando várias medalhas. E já ajudou diversos alunos a alcançarem suas próprias conquistas em campeonatos, inclusive no exterior.

Um exemplo de disciplina e boa vontade. Sempre disposto a ajudar a todos.

Está à frente do time de Dança do Leão TSKF, juntamente com o Shifu Anderson para ensinar essa arte tão maravilhosa que existe dentro do universo da arte marcial.

Em 2014 foi graduado 4º Tuan pelo próprio Mestre Gabriel, conquistando assim o título de Shifu.

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Shifu Antonio, você é muito conhecido por ser uma pessoa bem forte e com bastante energia, o que isso significa para você? 

Se conseguir isso estou cumprindo um objetivo, se você quer que as pessoas sejam fortes, seja forte você, se você quer que as pessoas tenham energia, tenha energia você, como diz o Mestre Gabriel, “a palavra convence, o exemplo arrasta”.
Somos seres compostos de movimentos feitos para o movimento, nos movimentamos por dentro e por fora o tempo todo, é uma lei do universo, o universo é movimento, força gera força, energia gera energia.
Eu brinco com minha esposa, ela um dia vai escrever um livro, “minha vida com um colérico”, sou assim desde manhã até dormir, se eu paro eu durmo.

De onde vem toda essa energia? Você sempre foi assim? 

Sempre tive uma propensão a ser assim, mas graças ao Kung Fu e ao Tchi kung consegui desenvolver bastante este lado, na verdade, busco o equilíbrio através do Tchi Kung e do Tai Chi Chuan.
Por ser muito agitado, ás vezes não conseguia descansar e repor as energias, o Kung Fu e o tai chi me ensinaram isto, conhecemos pessoas com grande energia que parecem moles e cansadas, justamente por não conseguirem controlar e direcionar esta energia ela se torna estagnada e pesada, passando a não ser um estímulo mas sim uma âncora para o indivíduo.
Como professores, devemos isso aos alunos, eles vem buscar energia e entusiasmo em você, força e vitalidade, nosso mestre nos ensina a ser assim.

Voltando um pouco no tempo, como você conheceu a TSKF? 

Na época estava parado (não tanto assim) e me interessei em praticar Tai Chi Chuan, após assistir uma apresentação, pesquisei uma escola na época, era longe, mas eu já tinha decidido treinar o Tai Chi Chuan, a distância não me impediria, então, indo para o ponto de ônibus conhecer a outra escola, passei em frente a TSKF na Rua Cardeal Arcoverde, unidade que hoje se localiza na Vila Madalena, ao subir e trocar três palavras com a Shimu Ana Harmi, fiz minha escolha. A TSKF apareceu em meu caminho, acredito que não por acaso, lembro de dizer a Shimu que praticar Kung Fu era um sonho, hoje vivo este sonho.

Qual dica você daria para as pessoas que reclamam que não tem energia para algo?

Eu diria “A energia está em você, ao seu redor o tempo todo, no que você come, nas pessoas, no solo e no ar, você só precisa utilizá-la, tem a ver com o seu CHI, sua energia vital, ela deve vibrar o tempo todo, faz parte de estar vivo”.

Como surgiu o interesse de dar aulas na TSKF? 

Foi um processo natural, o Kung Fu era e é algo tão maravilhoso para mim que eu pensei que ajudar as pessoas a conhecerem e praticarem algo tão benéfico. Era uma dádiva em meu caminho, eu estava sempre na academia, participava de tudo que acontecia, eventos, campeonatos, demonstrações, o Shifu Anderson e eu éramos os “chatos do exame” estávamos lá sempre. Neste fim de semana o Mestre disse no exame, que você não deve olhar pra sua mochila e pensar “Eu vou no kung fu hoje?”, me identifiquei muito, pois treinar Kung Fu deve ser uma coisa natural como respirar, comer e treinar. Faz parte do seu dia a dia, você deve treinar Kung Fu até se tornar o Kung Fu.
A TSKF com sua estrutura altamente planejada te direciona e te dá este caminho, é só querer.

Você poderia citar 3 motivos que te fazem continuar trabalhando com o Kung Fu? 

1- Ajudar as pessoas, vê-las se tornarem melhores e mais desenvolvidas dentro de seus limites, não quero que as pessoas sejam iguais a mim, mas melhores dentro de seus biótipos, o Kung Fu deve ser para você o que você quiser que ele seja.
2- Poder treinar Kung Fu o tempo todo, existe trabalho melhor que este?
3- Ajudar a pessoa que acreditou em mim, ser grato a ela permanecendo no caminho, tenho meu sonho com o Kung Fu, baseado no sonho de meu mestre, acredito muito no “caminho do discípulo” que é ajudar sempre seu mestre e seu irmãos.

Como você vê a TSKF daqui 10 anos? 

Vivemos um momento delicado em nosso país, mas nossa escola se mantém firme e forte, aprendemos a trabalhar melhor, aprendemos a nos desenvolver melhor a cada dia para nós mesmos e nossos alunos, aprendemos a escolher melhor as pessoas que terão a honra de trilhar nosso caminho, e isto sem dúvida refletirá daqui a dez anos, e seremos a maior, melhor e mais bem sucedida escola de Kung Fu do mundo.

Obrigado!



quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

TSKF Entrevista #8

Hoje estamos recebendo para a nossa oitava Entrevista o Sócio e Instrutor Walter Alípio.

Iniciou seus treinos em 2011, aos 24 anos.

Em agosto de 2012 começou a dar aulas e antes disso trabalhava com suporte técnico de computadores.

Participou de diversos campeonatos, inclusive em outro estado, Curitiba / PR em 2012, seu primeiro campeonato e lá, em suas palavras: “tive a oportunidade de conhecer melhor muitos dos meus colegas de treino, alguns dos quais treinam até hoje”.

Este evento se tornou marcante, pois apesar de não trazer nenhuma medalha, foi lá que pela primeira vez sentiu “aquele frio na barriga” que aparece antes da competição e se dissipa quando entramos na área, para o Walter, uma sensação viciante e sem igual.

Participou de diversos eventos da TSKF desde que começou a treinar e dar aulas, como por exemplo, o grupo de apresentações TSKF Show Team e a peça “4 caminhos para a vitória”, quando a TSKF teve honra de levar ao teatro Brigadeiro seu maior público desde sua fundação.

Graduou-se faixa preta em 2014.

É sócio e instrutor na TSKF Consolação e TSKF Tucuruvi, esta última onde leciona desde setembro de 2014 até hoje (2016).

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Walter, como você conheceu o Kung Fu? 

Assistia filmes do Jack Chan, posteriormente do Jet Lee. E meu interesse cresceu ainda mais depois de assistir “Matrix”.

Você depois de 1 ano de treino começou a dar aulas, o que lhe motivou a tomar essa decisão? 

O que foi decisivo para querer me tornar instrutor foi a própria experiência de treinar na TSKF. Sentir a energia dos instrutores e do ambiente, seja em qual fosse a unidade, a organização, a disciplina. O incentivo dos instrutores também foi importante.

O que você acha mais importante para uma pessoa que almeja dar aulas de Kung Fu?

Leiam os posts do blog, acompanhem os vídeos e procurem ler os livros que o mestre recomenda. Autodesenvolvimento é crucial.

O que mudou em sua Vida quando você decidiu se dedicar apenas ao Kung Fu?

Na verdade, culminou com uma série de mudanças que eu já queria fazer, então sai da empresa em que estava, mudei de casa, transformei minha rotina e isso foi muito valioso, o sentido de trabalho mudou completamente para mim.

Olhando para trás, todas as dificuldades que você passou, qual foi a lição mais valiosa que você aprendeu?

A lição mais valiosa é que tenho muito a aprender, chegar até aqui foi só uma etapa é tenho muito a trilhar.

De todas decisões que tomou até hoje, se arrepende de alguma? Faria algo diferente? 

O que eu faria diferente? Talvez tivesse começado a treinar mais cedo.

Como você vê a TSKF daqui 10 anos? 

Maior e cada vez mais forte, temos muitas regiões do Brasil para expandir.

Obrigado!