quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

TSKF: A conquista de mim mesma


Entrei na TSKF de uma forma bem despretensiosa. Iniciei com a expectativa de fazer um exercício físico diferente da academia, mais individualizado e menos mecânico.  Na matrícula perguntei ao João:

 -  Tenho que fazer exame? 
-  “Para passar de faixa tem que fazer o exame”  
-   Não vou querer passar de faixa. 
- “ Você vai querer.” 
-  Sei não... Pensei: quem é esse “menino” para dizer o que eu vou querer? 

Assustei-me no começo com a formalidade, mas com o tempo fui vendo a importância de cada uma das regras. No Guan as coisas são bem claras. As regras são bem definidas: se eu respeitá-las serei respeitada. Se eu me esforçar conquistarei meus objetivos.   

Vivemos num mundo onde a lei do menor esforço prevalece: faço pouco e espero muito. Se o muito não vem fico triste, deprimido, revoltado com a vida. Na TSKF o que me faz diferente é o meu esforço. Se eu me esforço e treino, repetidamente, posso ter certeza do sucesso. Mas, se ao contrário, enrolo, faço corpo mole ninguém vem passar a mão na cabeça e dar uma ajudinha. Não há privilégio. Se faço certo recebo os parabéns. Se faço errado recebo também a atenção dos instrutores na forma de orientações e incentivos. Isso dá uma sensação de segurança muito grande.  

Nunca tinha percebido a variedade de movimentos que temos. Numa só posição: mão direita aberta, esquerda fechada na cintura, braço direito esticado mas não tanto, o esquerdo acima da cabeça, não tão alto, perna direita para um lado, esquerda para o outro, cavalo, gato, arco e flecha. Aff. São tantos detalhes!!! E os instrutores, muito capacitados, calmante repetem tantas vezes quanto necessário. Faço uma, duas, três, dez, vinte vezes, até que tcham tcham acho que está bom. O instrutor vem delicadamente e ajeita uma mão. Putz achei que estava abafando. Respiro fundo, bato com a mão na testa e vamos continuar “até que o corpo memorize o movimento” e a forma se concretize. “O corpo sabe”, diz Jonas. É muito legal perceber que não é só o racional que manda. O corpo sabe o movimento. Aí fico pensando: quantos movimentos o corpo sabe e que não nos ajudam? Quantos movimentos corporais estão memorizados no nosso cotidiano e que nos trazem doença?  Depois que entrei na TSKF melhorei muito minha saúde e fortaleci minha energia vital. Estou fisicamente mais disposta e entusiasmada com a vida.  

Mas o meu grande desafio é vencer o nervosismo no dia dos exames. Depois de meu segundo exame, percebo que me intimido diante do outro.  Caio no orgulho de ser perfeita. Não posso errar. Isso me pressiona. Claro que não posso errar, mas não é por causa do outro. É por mim.    

No exame, o mestre explicou que com 50 anos não é mais necessário fazer exame para a faixa preta, por causa do condicionamento físico. Oba!!! Posso passar para a faixa preta sem fazer exame (hahaha para quem entrou  despretensiosamente). Mas agora, escrevendo o texto, penso que vou querer fazer o exame. Ou melhor, se eu não fizer, não será devido ao condicionamento físico, mas porque já terei trabalhado esse medo do olhar do outro, o medo de não ser perfeita. E dar conta de fazer minha matéria com uma postura de força, equilíbrio, velocidade e harmonia, só possível a uma campeã. Campeã não porque venceu os adversários ou os campeonatos. Campeã por ter vencido a mim mesma: o meu medo, meu orgulho e a necessidade de provar alguma coisa para alguém.

Ana Lucia Ferreira Ribeiro



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