quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

Kung Fu


Nos final dos anos sessenta (é, eu já estava por aqui) apareceu um Chinês que deixou o mundo de queixo caído em algumas cenas de um filme da série do detetive Marlowe estreado por James Garner.  A primeira vez que vi Bruce Lee alguma coisa mexeu comigo que me deixou fascinada durante anos.  Nem consigo explicar direito o frisson que o Kung Fu me causou durante toda minha vida adulta.  Viajei muito, casei, tive duas filhas, enfim não posso me queixar de uma vida cheia de altos e baixos, os altos sempre predominando.  Envelheci, havia me mudado para o Itaim Bibi e um belo dia (já depois dos sessenta anos) estava passando pela João Cachoeira e vi no segundo andar de um estabelecimento as palavras mágicas “Kung Fu”.  Fiquei até meio zonza, parecia um chamado do cosmos para ir encontrar algo que no fundo eu tinha procurado a vida inteira.  Subi e marquei uma aula experimental.  No primeiro dia cheguei, mas só tinha meninos de 8 a 12 anos e eu um pouco desconcertada no meio deles.  A sensação que tive é que há pouco tempo eu tinha a mesma idade deles e de repente estava presa dentro de um corpo mais velho. Um garotinho virou e me abriu o maior sorriso. Naquele momento senti que pertencia lá e tanta fazia ter idade para ser avó deles.  Isso foi em 2008 e apesar de frequentemente escutar amigas dizerem que eu estou no esporte errado, que mulheres da minha idade faziam Pilates e não Kung Fu, mandei todas elas cuidarem da própria vida e entrei de cabeça no esporte que sempre amei.  É claro que durante bastante tempo fui tomada por uma pretensão de iniciante achando que podia fazer qualquer coisa, bastava querer e ponto. Na primeira vez que tentei dar um chute voador caí sentada no tatame (apenas meu orgulho um pouco machucado).  Demorou mas fui percebendo que na vida nada é tão simples, minhas juntas já estavam ficando meio calcificadas e nunca consegui chutar tão alto quanto meus colegas, mas com o tempo percebi a inutilidade de me comparar com os outros. Meus professores da TSKF me fizeram perceber que na vida é preciso ter perseverança, treinar, treinar, treinar regularmente que uma hora os movimentos se tornam segunda natureza. É claro que frequentemente minha cabeça vai e o corpo fica, mas aí serve p eu treinar mais ainda p ver se sai alguma coisa aceitável. Depois de muitos anos treinando, após inúmeras tentativas e uma coleção de bombas em exames, finalmente consegui chegar à faixa marrom.  Acho que isso provou para minha geração que nem tudo quanto é mulher mais velha está interessada em ficar assistindo TV e cuidando da casa. A vida é compostas de várias decisões certas ou erradas, mas sinto que tomei uma das decisões mais certas de minha vida naquele dia no início de 2008 quando entrei pela primeira vez na TSKF.  Sinto-me bem, não fico imaginando problemas inexistentes e não perco energia boa com bobagens.  Tenho amigos de tudo quanto é idade, uma verdadeira família na TSKF.  De agora em diante preciso treinar ainda mais porque as exigências são maiores, mas estou determinada a chegar à faixa preta.  Não vai ser fácil, mas colocando todas minhas forças e determinação nos treinos, acabo chegando lá.

Candida Almeida


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