terça-feira, 26 de janeiro de 2016

Minha vida na TSKF


Meu nome é Renato Kutner, e sou músico profissional. Atualmente toco viola de arco na Orquestra Jazz Sinfônica do Estado de SP e leciono violino e viola no Conservatório Municipal de Guarulhos. Em 2002 me tornei diabético. Meu pai era também, e eu sempre achei que não ia herdar o gene... Resolvi encarar positivamente, seguir a dieta e fazer mais exercícios. Consegui em um ano baixar 14 quilos. Eu sempre fiz alguma atividade física e naquele momento, entre outras coisas, resolvi praticar Ioga, o que fiz por três anos. Mas só a Ioga, no caso de diabetes não era suficiente, precisava algum exercício mais intenso para o controle da doença. Como já havia praticado Tai Chi Chuan durante dez anos com o mestre Pai Lin, tinha uma admiração por Kung Fu e a cultura chinesa. Meu filho caçula era louco por Kung Fu desde pequeno e eu tinha vontade de colocá-lo em alguma academia junto com minha filha mais velha. Fiquei sabendo da TSKF através de um músico amigo que já praticava. Comentei com ele que gostava muito de kung fu, mas que eu achava que era muito violento e muito difícil para uma pessoa mais velha praticar, ainda mais para um músico que tem de preservar sua integridade física para exercer sua profissão. Ele me disse que na TSKF não havia combate e que não havia perigo. Entrei no site e resolvi ir na TSKF Ipiranga, que era a mais próxima da minha casa. Matriculei então os dois, com 13 e 12 anos respectivamente. Bem, nem preciso dizer, que assistindo o treino deles, fiquei louco de vontade de entrar também. Conversei com o Shifu Garcia, e disse que estava muito interessado, mas que precisava acabar o mês na Ioga para poder entrar também. Resumo da ópera, nem consegui esperar, e na semana seguinte, no dia 27/09/2007, estava eu começando, com 50 anos de idade, sem nem fazer aula experimental, já com o uniforme da TSKF. Quando acabou o treino disse ao Shifu Garcia: “acho que me enganei, estou meio velho para isso, estou achando este treino meio pesado para minha idade”, ao que ele replicou: “olha, tem gente com metade da sua idade que não faz metade do que você fez”, o que me animou a continuar a treinar. Desde esse dia até hoje, 8 anos depois, nunca mais parei. Um mês depois, ainda se juntou a nós minha esposa. Que experiência maravilhosa praticar com toda família! Campeonatos, exames de faixa juntos, inaugurações de novas unidades, amizades, aniversários na academia, amigos novos, saídas para restaurantes, festas de aniversário nas casa dos amigos e na academia, treinos no Ibirapuera, festas de natal, etc. Mas como a vida é uma incessante transformação, tudo começou aos poucos a mudar. Eu tive uma crise de vesícula, fui operado e o médico  falou para parar 3 meses. Negociei para dois,  ficava assistindo os treinos da minha família e assistindo ao STD, sistema de treinamento à distância, de que sou grande fã. Quando completou um mês da operação, entrava no tatame e fazia os taolus(formas) lentamente, como se fossem Tai Chi, para não esquecer, e depois de 2 meses comecei a fazer os treinos sem abdominal e flexões. Meu filho e filha que já estavam na marrom, foram crescendo e tendo outros interesses, e apesar de terminarem a matéria, foram saindo, primeiro meu filho e depois minha filha. Minha esposa chegou na roxa e teve um problema sério de coluna o que a impediu de continuar. Então, começaram outros desafios: amigos de treino foram saindo, instrutores, pelo crescimento da TSKF, mudaram de unidade. Tudo ia se transformando, eu tinha que me adaptar, criar novas amizades, ir sem a família aos eventos, campeonatos, etc. Comecei criar novas metas e desafios: participar do campeonato da TSKF agora como juiz e ir mais a treinos especiais de feriado, eventos e cursos da TSKF. As faixas superiores começaram a ficar muito mais difíceis: demorei um ano e meio para chegar na vermelha, mais um ano e meio para sair da vermelha e três anos na marrom. Desde a marrom comecei a treinar uma vez por semana na matriz para ter contato direto com o mestre e estou aprendendo com ele o Chi Kung, para fortalecimento da saúde em geral. Agora que acabei a matéria da marrom ponta preta, o desafio e responsabilidade são ainda maiores: chegar na preta agora com 58 anos. Muitas coisas aprendi nesses anos todos e estou tentando  aprender sobre relacionamento humano. Ter paciência consigo e com os outros, tentar não julgar, não se ocupar do que não é da sua conta, e a lista é longa tanto quanto os ensinamentos do Di Zi Gui, código de conduta das artes marciais e da vida, tão difícil de se colocar em prática nesse mundo tão conturbado. O Kung Fu para mim, tem sido um ótimo instrumento para superação, de aperfeiçoamento pessoal através da autodisciplina, um hobby, uma terapia, meio social, e não consigo parar de achar novas utilidades!

Renato Kutner





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