terça-feira, 5 de abril de 2011

Baixo, frente + soco

Na semana passada, falei um pouco sobre o fim de minha "era CLT" e os motivos que me levaram a isso.

Conversando com algumas pessoas ao longo dos últimos dias, reparei que eventualmente todos nós podemos esbarrar em uma dificuldade inusitada: a dificuldade em estabelecer um sonho que possa motivar grandes mudanças em nossas vidas.

Talvez tenhamos sido tolhidos desta capacidade de sonhar em algum momento da infância ou adolescência e fomos condicionados a pensar sempre com o pé no chão. Pode ser que isso tenha acontecido mais tarde, já na fase adulta, onde não foi uma pessoa ou grupo de pessoas que nos privou da capacidade de sonhar. O próprio mundo cru e duro tratou de podar os ramos de nosso sonhos, mantendo apenas o tronco e os galhos mais forte que são capazes de enfrentar um dia a dia corrido, intenso e sem margem para coisas infantis como sonhos e mundos melhores. O mundo é o que é e você faz parte dele.

Acredito que você já tenha passado por isso também: já tive projetos no trabalho enormes, que consumiram muitas horas do meu dia, muitos finais de semana, horas extras banco de horas. Fora as reuniões intermináveis, decisões que tinham que ser escalonadas para o chefe do chefe, espera de liberação no sistema de compras.

Quem nunca teve certeza de que a tomada de uma direção em determinada situação do trabalho era a mais correta e óbvio e ficou enlouquecido por levar uma semana para fazer o chefe entender? Almoço em cima da mesa? Pede pizza de noite com o pessoal do projeto, já que a madrugada ia ser longa? Sair do trabalho receber "aquela" ligação e voltar para a mesa 40 minutos depois de ter saído?

E no final de tudo, com o projeto entregue, aquela sensação de vitória por ter se superado e ter a certeza de entregar o seu melhor resultado possível? Almoço de comemoração, festa de celebração por conta do cliente, happy hour, folga prolongada?

O problema é quando isso se repete várias e várias vezes, num ciclo sem fim.

Uma hora você percebe que está contruindo algo legal, mas não para você. Você constrói para os acionistas da empresa. Claro, você faz sua reputação profissional e se desenvolve também. Você pode ser feliz fazendo isso para o resto da vida. Se é o seu caso, parabéns, você está fazendo a coisa certa.

Mas se lá no fundo você sente uma pontinha de desconforto com tudo isso...Se, nas suas horas sozinho, você se imagina fazendo outras coisas...Quando você se levanta mais cedo pela enésima vez para mais uma apresentação vencedora na empresa do cliente e se pergunta o motivo de tudo isso...Bem, talvez seja hora de rebuscar seus sonhos.

E podemos acabar voltando para a dificuldade que falei no começo do post.

Como se resolve isso? Não sei. Eu sei como eu resolvi isso. Revisitando minha infância (ok, psicólogos, prato cheio para vcs!).

Quando somos crianças, sonhamos sem amarras e sem as limitações do mundo adulto. Podemos ir à Lua e voltar sem sair do nosso quarto. Foi lá que reencontrei um dos meus sonhos que conquistei através da TSKF.

Sempre fui meio nerd, do tempo que isso era um adjetivo depreciativo. Meu fraco era ser fanático por videogames (eles já existiam quando eu era criança, ok?) além de outras coisas como colecionar selos e...bem, acho deu para ter uma idéia.

Como não poderia deixar de ser, eu era vidrado em Street Fighter II, que conheci na locadora onde eu alugava meus jogos de RPG, como o Final Fantasy I (nem sei em qual versão estamos hoje). Conhecendo os personagens, virei fã incondicional do Ryu. A versão moderna da história dele pode ser vista aqui .

Mas no meu tempo (coisa de velho) e no meu entender, a história do Ryu era ainda mais simples: era um lutador que se dedicava exclusivamente a viver de sua Arte Marcial, buscando um aperfeiçoamento e aprimoramenteo constante de si mesmo através dela.

ISSO para mim era algo que valia a pena viver! Já pensou em viver fazendo apenas o que gosta, aprimorando a si mesmo, se dedicando exclusivamente à sua Arte Marcial? Abrir mão de certas coisas para obter outras, trabalhar com suor e dedicação nos treinos, disciplinando-se sempre?

Eu achava isso o máximo e sonhava em viver assim quando criança e mesmo depois, na minha adolescência.

Consegui.

Por quê você também não conseguiria realizar o seu sonho?