segunda-feira, 24 de maio de 2010

Através do véu

Sempre que eu penso em um véu, me vem à cabeça aquelas mulheres que fazem Dança do Ventre. Espetáculos à parte, é curioso o papel que o véu exerce. Ele mostra e esconde ao mesmo tempo, não revelando a plenitude da beleza da dançaria. O rosto só é revelado para os que têm o privilégio da proximidade com a dançarina.

O Kung Fu também usa um véu, mas de uma forma não muito boa. Muitas vezes atendo pessoas na academia que vêem nossa Arte de forma difusa. Perguntas como: "mas eu posso fazer, mesmo estando com 30 anos?", "mulher também pode treinar?" e "eu tenho tendinite, não dá para treinar, né?", são dúvidas costumeiras. Naturalmente, meu trabalho é mostrar que o Kung Fu é para todos e trata-se de uma Arte inclusive, que não prioriza idade, sexo ou condição física.

Mas como fazer com as pessoas que não procuram a academia? Afinal, pode acontecer de muita gente gostar e se interessar pelo Kung Fu, mas acabam se privando da prática por verem as coisas através do véu.

É aí que nosso campeonato entra uma vez mais. Esta é mais uma das razões para ele ter a entrada franca. Isso permite que os atletas, alunos e escolas tragam seus amigos e familiares para ver um pouco mais do que é o Kung Fu, sem nenhum véu. As formas, as lutas, os Toi Tchas, tudo está ali para ser visto, apreciado e também medido.

Por isso incentivo à todos que convidem suas famílias para verem o campeonato, assim como seus colegas de trabalho, amigos, enfim, a comunidade em que você está inserido. O Kung Fu, a Arte que você pratica, merece crescer e se tornar mais popular. E isso só será possível com o engajamento de seus praticantes.