quinta-feira, 19 de maio de 2011

Sem descer do salto (Parte 1)

Essa semana num desvario que tive, comecei a me perguntar a origem da exclusão de vários tipos de minorias ao longo do tempo (lembrando que esse termo vem como minoria pela exclusão social, não pelo número), e um grupo em particular me chamou a atenção pela participação histórica: o grupo das mulheres.

Ao longo dos anos foram raríssimas as sociedades de base matriarcal. A mulher nada mais era do que um objeto para dar continuidade à família, assim como criar os filhos nos primeiros anos de vida. Baseado nisso acabei por pesquisar a participação das mulheres ao longo dos séculos, e realmente, a contribuição delas na sociedade sempre foi mínima.

Em Atenas, na era Clássica (foquemos em torno do século V e VI), as mulheres mal saíam de casa. Sua educação era dada pela mãe e pela avó, servindo apenas para educar as futuras mulheres da família. Mal havia o direito de educar os filhos homens. Em Esparta já era um pouco mais diferente, tinham o direito de jogos públicos e treinamento militar, contudo, era somente pela crença de que uma mulher mais forte daria filhos mais fortes aos seus maridos.

Agora viajando alguns séculos, vamos para a Idade Média (por volta do século XI) O cristianismo (consideremos que a religiosidade era uma peça fundamental da cultura da época) personificou a mulher como um ser de tentação, já que são descendentes de Eva (responsável pela queda da humanidade). Nas pregações era exaltado que a mulher era a própria personificação da tentação. Então foi instituído o matrimônio monogâmico, com o principal objetivo de restringir a mulher a um só parceiro, e também o papel do homem “educar” sua esposa, a fim de ter uma vida pura e castra.

Avançando um pouco mais, vamos para o século XVIII, Revolução Industrial. A mulher já tem o direito na sociedade moderna do trabalho fabril remunerado. Tanto que, em épocas de crise, eram contratadas mulheres para substituir a mão de obra masculina, pelo custeamento ser mais barato. No século XIX já começaram as reivindicações das mulheres por jornadas de trabalho igualitárias, assim como direito ao voto.

No Brasil, a partir da década de 70 que as mulheres passaram a participar mais efetivamente no mercado de trabalho, em áreas variadas. Em 1988 conseguiu igualdade jurídica. A partir de 90 já eram comuns famílias matriarcais. Muitas mulheres levavam jornadas duplas (trabalho + família). Hoje em dia é ainda mais comum isso. As mulheres se mostram capazes de muitas vezes, sem os maridos, sustentarem-se, assim como criar um filho, assim como estudar e assim como manter a beleza, saúde e bem estar.

Agora vem a questão: Todo esse papo vem por qual motivo?

As mulheres estão ganhando cada vez mais espaço na sociedade, e sexo frágil já é coisa de um passado imaturo. Numa aula que fiz na unidade da Vila Madalena deu até orgulho em ver que a grande maioria das participantes eram mulheres (Se não me engano haviam três homens e sete mulheres. Coisa que o próprio Danillo disse ser normal naquele horário). Ver mães de família se importarem com saúde, beleza e desenvolvimento mental, ainda enquanto logo após a aula vai buscar o filho na escola. Ou famílias que treinam juntas.

A participação das mulheres nas artes marciais têm deixado uma rastro de beleza único, tanto que vemos uma combinação perfeita de firmeza, aplicabilidade da coreografia, assim como a sutileza, postura e leveza que apenas as mulheres possuem.

Essa é a primeira parte do post. Na segunda colocarei aqui duas entrevistas feitas com duas participantes femininas no Kung Fu, não percam!