terça-feira, 1 de março de 2011

Minha mente, meu corpo



A partir do século XV onde as caravelas eram os mais modernos meios de transporte, o mundo presenciou a raiz de uma nova ordem mundial, a Globalização. As grandes navegações e a busca por relações coloniais lançaram um contingente relativamente grande para fora de suas fronteiras a fim de buscar melhores condições econômicas.

Enquanto a América foi retalhada por grandes potências européias, as mesmas enxergavam no oriente um grande potencial de comércio. As famigeradas especiarias eram as chaves de um conceito fundamental para a formação da cultura européia ocidental que, inevitavelmente, expandiu-se para suas colônias assim como a terra do pau-brasil.

Noções filosóficas sobre anatomia, neurologia e psicologia, miscigenaram idéias pré-feudais clássicas com idéias orientais religiosas, provocando uma nova forma de pensar sobre a relação ‘’corpo x mente’’.

Atualmente essas idéias voltaram a tona, e mais uma disciplina entrou na discussão: a Educação Física, aliada à tendência do bem-estar físico e mental.

Enquanto para os ocidentais corpo é algo distinto de mente, para a cultura oriental, mente e corpo fazem parte de um mesmo processo. Enxergamos a mente como a essência e o corpo como a aparência, quando na verdade os dois são intimamente próximos. É inevitável separar suas emoções e sentimentos de movimentos corporais.

Para ilustrar, imagine o aspecto físico de uma pessoa triste, ou muito feliz. Esses dois sentimentos provocam nosso acervo motor e nos dão características típicas e previsíveis.

Por mais que, às vezes, tentamos esconder o que sentimos, as pessoas ao redor sempre vão saber que o sentimento está presente. Todos conseguem perceber, com atenção, o verdadeiro sentimento de alguém. Muitas vezes isso se manifesta em forma de intuição, mas a intuição é a percepção involuntária dos movimentos, mesmo que sutis, do corpo dos sujeitos.

Nós não temos um braço, nem uma perna, nem uma mente, e sim somos um braço, perna e mente. Basta você perceber que o tato, um dos cinco sentidos dos seres humanos, funciona de acordo com a nossa mente.

Mas onde se esconde a mente? Você pode imaginar que ela está em nosso cérebro, porém se cortarmos um cérebro ao meio não conseguimos anatomicamente encontrá-la, por isso, para os orientais nossa mente nada mais é que a existência de nosso corpo vivo. Semelhantemente podemos intertextualizar esta idéia com uma famosa frase de René Descartes: ‘’Penso, logo existo’’.

Pessoas que sentem problemas emocionais prolongados sofrem sérios riscos de transformar a postura corporal. As que têm muita timidez, por exemplo, podem desenvolver uma contratura muscular Crônica no músculo peitoral, e com isso adquirem postura típica de um sujeito envergonhado, com flexão de tronco e peito retraído.

Não só a musculatura sofre conseqüências dos sentimentos. Quando ficamos nervosos podemos observar uma maior irrigação sanguínea na cabeça e, por isso, a pessoa aparenta rosto avermelhado.

O esporte e as outras atividades físicas são experiências de origem corporal, mas como corpo e mente são interligados, treinando o corpo atingimos a mente (no hemisfério Afetivo e cognitivo). A prática de exercícios inverte o fluxo normal de sentido ‘’mente’’(pensamento ou emoção) e ‘’resposta motora’’(movimentação do corpo) provocando um deslocamento de origem motora para alcançar a mente.

Na verdade esses ‘’caminhos’’ percorridos entre mente x corpo ou corpo x mente, são os mesmos, já que os dois não podem ser dualizados. Seu corpo e sua mente fazem parte de um mesmo ego, que por ser vivo, existe materialmente expressando-se com o meio ambiente ao mesmo tempo motora, cognitiva e afetivamente, apresentando níveis variáveis de seus usos e exposição aparente.


Sandro Conte Febras


Bibliografia
‘’Couraça muscular do caráter’’ - José Angelo Gaiarsa
‘’Corpo mente’’ - Ken Dychtwald
‘’Corpo fala’’ – Pierre Weil

Referência
Eduardo Figueira de Aguiar, Prof do Curso de Ed. Física na FMU