quarta-feira, 26 de novembro de 2014

O Difícil Caminho dos Empreendedores

Hoje vou compartilhar com vocês o papo que eu tenho quando algum aluno decide ser nosso sócio ou instrutor. De antemão, devo dizer que trato o candidato a instrutor da mesma maneira que trato o candidato a sócio, isso porque ser instrutor em nossa academia é apenas uma transição para se tornar sócio. Ninguém na TSKF é tratado como empregado, a não ser que queira.

Quando o aluno senta na minha frente, normalmente acompanhado de seu Shifu ou instrutor, a primeira coisa que eu digo é que o meu papel ali será o de tentar fazê-lo desistir da idéia de ser nosso sócio. Digo isso porque sei o quanto é difícil para as pessoas assumirem que tudo, ou quase tudo que aprenderam com as pessoas que mais admiram como seus pais e professores, não servem para nada ou para quase nada no mundo dos empreendedores. Isso porque as regras que regem o mundo dos empreendedores são completamente diferentes das regras que regem o mundo das pessoas comuns e, portanto, a dor da transformação de um pensamento comum para o de um empreendedor normalmente é insuportável para a maioria.

Em seguida digo para eles que as pessoas mais próximas a eles como, seus pais, sua namorada e seus amigos mais próximos tentarão fazê-los desistir da idéia. Dizendo coisas como: Você estudou tanto e agora vai perder todos esses anos para dar aulas de Kung Fu. Porque você não arruma um trabalho de verdade que esteja mais de acordo com o seu nível? Será que esse pessoal aí não está somente querendo usar você? Então pergunto, será que você agüentaria passar por isso?

Lembro-me como hoje quando um de meus sócios atuais decidiu aceitar o meu convite para se tornar nosso sócio e me procurou para conversarmos. Sentou diante de mim e disse: Eu pensei bem e quero trabalhar na TSKF, então no mesmo instante eu lhe perguntei se ele tinha namorada? Lógico que eu sabia que ele estava namorando. Ele me respondeu que sim, e eu disse a ele que ela iria deixá-lo, e se ele agüentaria isso? Então ele me disse que achava que isso não aconteceria porque ela o amava. Pouco tempo depois que ele começou conosco ela o deixou. Não sei o que exatamente ela disse para ele, mas normalmente elas dizem coisas como: “ou eu ou a academia” ou “você quase não tem mais tempo para mim”. Se você nunca passou por isso, saiba que esse tipo de coisa dói, e é nessas horas que a maioria sucumbe, inventa uma história mirabolante e vem nos comunicar que não poderá mais continuar. Nessas horas nunca tento persuadi-los a continuar, apenas penso comigo mesmo “as desculpas mesmo quando verdadeiras não levam a nada”.

Imagine então, se ao invés do seu melhor amigo ou da sua namorada, for seu pai ou sua mãe que diz que você está entrando numa roubada e que isso não o levará a nada. Sua tendência natural será a de escutar o seu pai e a sua mãe, não é verdade? E isso não poderia ser diferente, afinal de contas eles são seus pais e só desejam o melhor para você. Seus pais, sua namorada e seus melhores amigos gostam de você e querem apenas protegê-los, e certamente lhe dirão um milhão de coisas pelas quais, o que você quer não funcionará mesmo eles nunca tendo sido empreendedores, que, convenhamos é um tremendo absurdo.

Com o intuito de fazê-los desistirem da idéia de vir trabalhar conosco eu digo mais algumas coisas, como, por exemplo: Como empreendedor, você não terá, vale refeição, vale transporte, ticket combustível, décimo terceiro, décimo quarto, participação nos lucros e fundo de garantia. A propósito, nesse momento pergunto para eles se eles acham que o Fundo de Garantia é um bom lugar para investirmos o nosso dinheiro ou se eles acham que conseguiriam investir o dinheiro deles eles mesmos numa aplicação melhor? Todos invariavelmente dizem que acham que investiriam melhor o seu dinheiro do que o governo investiria para eles. Vejam bem, não estou falando mal do Fundo de Garantia, acho que ele é ótimo, já que a maioria não tem disciplina suficiente para economizar e investir seu próprio dinheiro. Digo-lhes que quando me tornei empresário meu contador me perguntou por que eu não pagava o Carnê Laranja do FGTS? E que eu lhe respondi, que se eu pagasse é porque estaria aceitando aquele “enorme” valor que eu receberia de aposentadoria no futuro e que não era aquilo que eu gostaria de receber no meu futuro e, portanto, nunca pagaria aquilo.

Para completar, eu digo para eles que seus amigos lhes fariam muitos convites para saírem à noite para jantares, bares, baladas e finais de semanas prolongados na praia. Então, pergunto se eles teriam coragem de recusar esses convites quantas vezes forem feitos? Digo-lhes que recusar esses tipos de convite de bons amigos não é coisa tão simples como parece. A maioria sucumbe justamente aí, principalmente quando seus amigos, dizem coisas do tipo “será que você não está sendo escravo do seu trabalho”, “a vida é curta cara, melhor aproveitar enquanto pode”. Coisas desse tipo Rs. Normalmente essas pessoas gostam de postar fotos no Facebook sempre com caras felizes e sorriso na boca, com um copo de cerveja na mão num “churras”, numa viagem ou numa balada. Sabe do que to falando né? Com a conta corrente no vermelho e o cartão de crédito estourado, isso quando não está com o nome sujo no Serasa. Rs. São as mesmas pessoas que quando voltam para o dia a dia são infelizes e reclamam do governo da mulher e até do seu cachorro.

Uma das coisas mais difíceis que digo para eles, é que será muito difícil alcançarem sucesso como empresário, enquanto mantiverem contato com seus antigos “amigos”. Isso porque certos tipos de empreendimentos exigem um tipo de conduta e postura não mais condizentes com a vida de seus antigos “amigos” sem contar o tipo de papo. Rs

Mas, espera aí, quem disse que nós os empresários não nos divertimos as pampas? Quem disse que não temos tempo de fazer o que quiser? Quem disse que não podemos viajar de férias? Pra nós é tudo uma questão de planejamento. Simples assim.

Todos querem ter o benefício financeiro que um empreendedor tem, mas poucos têm a coragem para enfrentar os obstáculos. A maioria sempre vai preferir o paternalismo e uma falsa segurança de que alguém está cuidando deles. Para ser empreendedor tem que ser capitão do seu próprio navio.