domingo, 9 de janeiro de 2011

Somos grandes, somos pequenos

Acho que todos na vida já chegaram a se acostumar algum dia a alguma atividade praticada faz tempo, seja o kung fu, ou outro esporte, o hábito de falar em público ou apresentações de escola. A questão é: por mais experientes que sejamos, sempre há alguma situação da qual ainda não nos defrontamos, e para isso temos que dar um passo muito grande (claro, preparando-se para que não seja maior que a perna).

Particularmente falando, nesse final de semana fiz meu exame de faixa, para a faixa preta. Independente de ter feito outros oito exames e muitos campeonatos, essa situação ainda me deixou numa ansiedade enorme, assim como nervosismo, insegurança e acima de tudo, motivação de ter um objetivo em mente, em que iria até o limite.

O engraçado é que durante o tempo em que me propus a fazer o exame até o dia do próprio, acabei conversando com muitos outros alunos e instrutores que já passaram por tal experiência, e dentro de muitos conselhos de treinos, também ouvi muitas histórias de exame, com alguns pontos em comum: “Aquele dia fiquei muito nervoso”, “Esteja preparado para tudo” e “Esse é a peneira que vai mostrar realmente sua qualidade de artista marcial”. Ouvi histórias engraçadas, e vi que até mesmo alguns de meus ídolos da academia também passaram por um grande nervosismo nessa mesma situação.

Esse tópico não é para dizer o que acontece no exame, ou um conselho sobre o que fazer para se preparar para ele, mas sim tocar num outro ponto que eu mesmo aprendi durante o exame: Independente do seu tempo de treino, da sua participação em eventos e competições e quanto você acha que está preparado para tudo, sempre há horizontes inexplorados. Você será sempre uma criança em aprendizagem. Por maior que pareça, há ainda situações em que você se verá pequeno.

Contudo, nesse mesmo exame, percebi uma outra coisa tão marcante quanto esse fato: Por menores que sejamos perante uma arte marcial tão vasta de desafios, ainda somos gigantes. Em alguns momentos do exame a força acaba, o fôlego pega e a perna treme, e nesses momentos você vê que está cercado de gigantes. Esses gigantes estão na forma de colegas de treinos, de instrutores e de um mestre, que torcem por você e te dão motivação e força para chegar mais longe do que foi há um minuto atrás.

Ser gigante não é só ser melhor do que era antes. Ser gigante também é fazer com que aqueles que estejam ao seu lado cresçam juntos com você, é dar a torcida e a força necessária para vencer qualquer obstáculo.

Acho que cada um pode ter uma experiência diferente nessas situações, o exame de preta foi só um exemplo. Podemos ver pessoas que percebem isso em outros exames, ainda mais cedo, ou no primeiro campeonato, ou até os mais avançados, quando vão para o exterior competir. Independente do caso, os desafios grandes estão aí para serem ultrapassados. Nada mais são do que um presente para você mesmo ter uma idéia de até aonde vai seu objetivo.

Para todos que têm objetivos esse ano: boa sorte, e dediquem-se de corpo, alma e mente para alcançá-lo, afinal, podemos ser pequenos perto de situações que ainda desconhecemos, porém somos gigantes no potencial para cumprir qualquer objetivo que tenhamos.

Vinícius Miranda