segunda-feira, 13 de maio de 2013

De que serve o passado? (Tradicional VS Arcaico)


Em vários momentos na vida nos deparamos com situações conflitantes que nos mostram:
Valores antigos em oposição a Novos valores, como quando você mulher,está acostumada a usar um condicionador para apenas hidratar seus cabelos, e descobre que é possível pintá-los usando o condicionador, além de hidratar... (e isso é realmente possível), ou quando você homem está afeitando a barba, e por um descuido deixa o creme de barbear cair no estofado de couro, e quando limpa, descobre que esse é o melhor método para se tirar manchas de um estofado de couro (e isso também é verdade), nesses momentos nos deparamos com valores antigos colidindo com valores novos, e a partir daí podemos reagir de diversas formas, positivas e negativas, otimistas ou pessimistas, arrogantes ou humildes...

Todas as vezes que nos deparamos com informações que não conhecíamos tendemos a ser arrogantes, fechados para o novo, como diz o ditado: "Quando a única ferramenta que se tem na mão é um martelo, todo problema você acha que é prego", dessa maneira montamos barreiras impedindo que o novo conhecimento faça sua morada em nossa mente. Você sendo desse tipo de pessoa ou não, por um acaso deve conhecer alguém que tenha essa característica marcante, que geralmente fala “Eu sou assim e pronto”, ou que para tudo tem na ponta da língua o complemento perfeito para qualquer frase que dissermos a ele,que é: “Eu sei!”.

O fato é que sempre que precisamos evoluir algo, seja um projeto, um produto, ou até mesmo o ser mais importante do universo, VOCÊ (eu), e é inerente a esse processo de evolução a existência de um ponto de partida, se faz necessário usar valores que já obtemos, mas mudar  é deixar de ser tradicional???

Há uma distinção que eu acho fabulosa, que o filósofo brasileiro Mario Sergio Cortella faz sobre o Tradicional e Arcaico, sendo que o tradicional é aquilo que precisar ser preservado, cuidado, levado a diante, consultado quando necessário, ao passo que o arcaico é tudo aquilo que já está ultrapassado, sem valor, desnecessário, obsoleto.

Trazendo essa informação para o nosso universo marcial, é extremamente comum esbarrarmos em uma dessas comunidades que existem nas redes sociais, bate papos e trocas de informações que falam sobre a tradicionalidade do Kung Fu, qual é o verdadeiro Kung Fu, etc., e para ser bem sincero, nunca vejo nenhum aluno,instrutor, mestre, representante de nenhuma escola ou estilo vir num grupo desses dizer que conquistou um reino ou que provou que seu kung fu tradicional era melhor do que o arsenal bélico de qualquer povo, mas vejo muito o povo dizer que é tradicional no Kung Fu treinar a luta, pois isso é a essência, e essa essência não pode ser perdida...  Aí, a  pergunta que não quer calar: 

Para adquirir perseverança, diligencia, disciplina, confiança, auto confiança,humildade, paciência, lealdade, ou seja, valores que julgamos importantes para a evolução do ser humano, obrigatoriamente tenho que me dispor a levar golpes e a dar golpes nos outros, somente porque essa arte veio da necessidade de se defender, ou seja, perco todos os benefícios que encontraria na arte apenas por não querer lutar?

Nós da TSKF entendemos que NÃO, e ainda nos atrevemos a complementar dizendo que existem muito mais ganhos reais nesse tipo de prática que desempenhamos do que apenas consciência corporal, algo que vai direto para um vastíssimo campo de possibilidades e consciências, que vai direto para o campo mental do ser praticante. 

Acredito que isso sim seja A nossa tradição. Que isso é o que temos que levar pelos tempos, que temos de cuidar, consultar quando necessário e preservar. A luta já não é mais o ponto principal, afinal não temos as pretensões acima citadas, como não usamos mais habilidades corporais para conquistar reinos e povos, ela passa a ser o que de arcaico temos no nosso Kung Fu, ou seja, o que seguramente pode ser descartado, pois não será usado, é valor obsoleto.

Sendo assim podemos usar de seus exercícios para obtermos bem estar, e uma saúde verdadeira uma vez que ser saudável não é só não estar doente, mas sim ter condições físicas, mentais, sociais, financeiras e fisiológicas de viver e viver bem, além do imenso conhecimento sobre ser humano que foi ao longo dos últimos 30 anos agregado pelo Mestre da escola.

Quanto a atividade desportiva da luta, isso é assunto para um próximo post, quem sabe?!