sexta-feira, 13 de abril de 2012

Sobre Música e Desastres

No próximo domingo, dia 15, completa-se 100 anos do maior acidente náutico da história: o naufrágio do Titanic.

Eu já vi o filme com o Leonardo DiCaprio e a Kate Winslet. Vi apenas uma vez por não aguentar a música da Celine Dion por falta de oportunidade e tem uma cena em especial que me chamou a atenção e voltou à minha mente hoje.

Durante todo o processo de saída do navio, aquela bagunça toda, os músicos simplesmente se dirigem ao deck principal, onde ocorre a evacuação do navio e começam/continuam a tocar, como se nada tivesse acontecido. Eles permanecem tocando até o último instante possível e só então, quando não é mais possível fazer sua música, eles tentam se salvar.

Não há registro de que algum dos músicos tenha sobrevivido.

O que sempre me chama a atenção quando escuto sobre o Titanic e me lembro desta cena é que os músicos perceberam, assim  como muitas outras pessoas à bordo (como o filme mostra, de forma romanceada) que a chance de escapar com vida era mínima e a escolha então era outra: como passar os últimos momentos.

Assim, os músicos escolheram gastar todos os minutos possíveis fazendo aquilo que se propuseram a fazer: fazendo sua música.

Colocando desta forma, parece (além de melancólico) fácil tomar esta decisão. Mas sou levado a crer que a decisão foi tomada porque eles decidirem viver por sua música.

Quantos anos de estudo cada músico deve ter tido para chegar ao ponto de fazer parte da banda que tocaria na viagem inaugural do "maior navio do mundo"? Pegando um dos violinistas como exemplo, vou chamá-lo de John (Jack já foi usado pelo roteirista do Piratas do Caribe do Titanic), quantas negativas ele recebeu antes de se tornar músico profissional? Quantas reprimendas ele pode ter levado da família, por escolher uma carreira "que não é de coisa concreta"?

Mesmo assim, seu amor e sua firme decisão de viver por aquilo que acredita foi mais forte. Fez com que ele fosse maior que as dificuldades que viveu e o levou a ganhar a vida fazendo aquilo que gostava. E também ao fatídico acidente.

Se ele tivesse desistido da carreira de músico, ele teria vivido um pouco/muito mais. Imaginemos que ele tivesse desistido da carreira de música e se tornado um bom funcionário de uma empresa qualquer, em uma atividade qualquer. Ele seria lembrado hoje, 100 anos depois?

Apenas aqueles que decidem como viver é que tem o direito de escolher como viver seus últimos momentos.