segunda-feira, 29 de julho de 2013

A importância do Café da Manhã

Foi ao ar hoje de manhã, pela rádio CBN, uma matéria interessante sobre a importância do Café da Manhã (sim, ele é importante o bastante para ser escrito em com letra maiúscula).

Vale a pena ouvir a matéria, que fala sobre uma análise feita na Universidade de Harvard sobre esta refeição.

Este é apenas mais um dos aspectos que abordamos também no Curso de Nutrição TSKF.

Para ouvir a matéria, basta clicar no link abaixo.

quinta-feira, 18 de julho de 2013

Mais um evento!


E mais uma edição do Brazil International Kung Fu Tournament Championship passou...Gostaria de agradecer imensamente à todos que participaram deste edição!

Foi mais um evento formidável para a arte marcial chinesa, demonstrada através das competições de formas, do Tai Chi e das lutas no Lei Tai também. Muito mais importante que isso, foi poder observar o clima festivo, encontrar velhos amigos e fazer alguns novos também.

Como parte da organização do evento, sei também que não somos perfeitos e, eventualmente, podemos ter cometido alguma falha. Tenham a certeza que o trabalho para melhorarmos em nossa próxima edição já começou (literalmente) e podem esperar observar estas melhorias em nosso próximo encontro.

Se você conquistou uma medalha no evento, parabéns. Mas lembre-se que sempre há margem para evolução técnica e física e essa busca pelo aprimoramento é que faz de um campeão o que ele é.

Se você não conquistou uma medalha no evento, isso tem pouca relevância quando as luzes se apagam. As medalhas se vão, mas ficam as lições que, como um mapa, mostram o que é preciso fazer para conquistar uma melhor performance na próxima oportunidade.

Por último, mas não menos importante, é fundamental agradecer todos os voluntários que fizeram deste evento ter sido o que foi. Juntos podemos fazer mais e podemos ir mais longe!


quinta-feira, 4 de julho de 2013

O que é importante e o que é urgente?

Quanto eu trabalhava em meu antigo emprego, eu tinha uma chefe fabulosa, mas que tinha certa dificuldade em estabelecer prioridades para os projetos que eu cuidava. Já eu tinha dificuldade em trabalhar sem prioridades. Significava muito para mim entregar aquilo que esperavam de mim, com a qualidade combinada.

Ela se estressava comigo, já que eu sempre perguntava: "Ok, chefa. Tenho essas mil tarefas aqui. Qual é a prioridade delas?". Por outro lado, eu me estressava sempre com a resposta: "Querido, tudo é prioridade".

Isso sempre soava como um "se vira" ou "dá seus pulos". Eu ficava enlouquecido com isso...

Naturalmente, além dela, os clientes me ligavam com demandas, os pares da minha chefe me acionavam com demandas e os chefes da minha chefa faziam o mesmo. Uma salada.

Até que um dia eu parei de ficar maluco com isso. Eu concebi um sistema fantástico chamado SVCP (Se Virem Com as Prioridades). Na verdade o nome era SFCP, mas mudei um pouco depois porque seria difícil explicar em detalhes...

O sistema era o seguinte:

1- Alguém me acionava com uma demanda
2- A demanda ganhava o topo da lista de prioridades e eu começava a trabalhar nela imediatamente, com todo o esforço
3- Outro alguém me acionava com outra demanda
4- A demanda ganhava o topo da lista de prioridades e eu começava a trabalhar nela imediatamente, com todo o esforço
5- O primeiro demandante me acionava para cobrar sua solicitação. Eu explicava diplomaticamente que estava atuando em outra demanda, mas que passaria a dar foco total no que ele precisava. E assim fazia.
6- A demanda ganhava o topo da lista de prioridades e eu começava a trabalhar nela imediatamente, com todo o esforço
7- O outro demandante me acionava para cobrar sua solicitação. Eu explicava diplomaticamente que estava atuando em outra demanda, mas que passaria a dar foco total no que ele precisava. E assim fazia.
8- A demanda ganhava o topo da lista de prioridades e eu começava a trabalhar nela imediatamente, com todo o esforço

E assim a coisa seguia, para meu total divertimento. Imagine as oito etapas acima, mas envolvendo 20 ou 30 demandas e demandantes. Nunca ri tanto como naqueles dias...

Ainda assim eu sabia que, para entregar os resultados que eu mesmo esperava de mim, seria preciso fazer uma coisa de cada vez. Terminar uma coisa por vez. Ter tanta coisa ao mesmo tempo na agenda me fez perceber ainda mais a importância disso. Só não havia como fazer isso no momento.

Quando tudo é prioridade, nada é prioridade. Nós somos capazes de criar sistemas multitarefas, mas isso não nos torna multitarefas (eu adoraria ser...)

Em nossa vida, quando deixamos tudo se tornar prioridade, acabamos por deixar de lado algumas coisas, coisas que "gritam menos" em nossa consciência.

Deixamos de lado nossos relacionamentos, até que nosso parceiro ou parceira acende um alerta vermelho para a relação. Quando isso não acontece, a relação simplesmente termina.

Deixamos de lado nosso sono, até que nosso corpo e mente manifestam um alerta, afinal, durante a semana você dorme tarde para cumprir sua agenda cheia. De final de semana, as baladas é que têm a sua cota. Mas uma hora o corpo vai sinalizar que sua prioridade deve mudar.

Deixamos de lado uma boa alimentação, muitas vezes em troca de economizar alguns minutos de uma refeição para pode voltar ao trabalho (que "grita" mais). Uma hora o corpo vai gritar e, acredite em mim, não é bonito quando ele faz isso rápido. Quando ele faz devagar, dói menos no sentido literal, mas dói mais no espelho...

Deixamos de lado nosso treino de Kung Fu, já que, via de regra, não temos o hábito de ficar gritando com os alunos que não aparecem. Incentivamos sempre, "puxamos a orelha", porque é assim que gostamos de fazer a coisa. Mas sabemos também que seu corpo vai "gritar" por nós quando você tiver que subir aquele lance de escada ou tiver um dia que requisitar um pouco mais da sua energia.

Não que seja fácil, mas para aqueles que souberem conquistar a capacidade de priorizar o que é importante em detrimento do que é urgente, conseguirão produzir muito mais, com muito mais qualidade e sem ter que trocar saúde, relacionamentos e equilíbrio de suas vidas.

Ah sim! Meu sistema SVCP teve vida curta. Minha nova chefa, que entrou no lugar da minha antiga chefa, tinha uma forma de trabalhar diferente, onde eu recebia demandas apenas dela e ela centralizava o "atendimento" aos outros demandantes. Ela não tinha a vida fácil, mas ela sempre tinha fotos novas para compartilhar no orkut (sim, éramos desse tempo) sobre os finais de semana na praia com o marido.

Afinal, nem tudo que é importante, é também urgente.

sexta-feira, 14 de junho de 2013

A nobre arte de ser Voluntário


Em todos esses 17 anos que tenho de treino, sempre procurei ser voluntário, inclusive quando não era professor. O mestre Gabriel perguntava assim para nós: “Quem gostaria de participar da demonstração na abertura de uma nova unidade? Eu sempre me prontificava a fazê-lo! Não porque era corajoso nem nada, mesmo porque fazia com um medo danado, mas porque acreditava no que o Mestre falava sobre os benefícios de se expor fazendo demonstrações.

Hoje, acredito que o fato de ter participado de várias demonstrações, sem dúvida nenhuma, desenvolveu e muito meu Kung Fu bem como meu controle emocional. E, naquela época, não atentava para outro benefício que me acometia, que era o da importância de ser voluntário.

E hoje, vejo que o Mestre desde aquela época já criava uma cultura na TSKF sobre a importância de sermos voluntários. Ele, como Mestre, poderia simplesmente colocar nossos nomes para participar e pronto! Claro que, se ele colocasse nosso nome nós iríamos e ponto final. Mas, com sua sabedoria de Mestre, preferiu saber quem seriam os voluntários, ou seja, quem seriam os alunos que fariam parte da história da TSKF, ao mesmo tempo, em que se beneficiariam dessa atividade tão nobre.

Quais benefícios, afinal, teremos por sermos voluntários de algo em que acreditamos?

Tem vários benefícios, mas vou colocar aqui somente três que foram os que o Mestre Gabriel sempre nos ensinou:

Aquisição e doação de Conhecimento: Toda vez que sou voluntário da TSKF, aprendo algo diferente. Por mais que você ache que a função seja “simples”, você aprenderá algo com ela. Pode ter certeza! Quando digo aprender algo, não quer dizer que tenha que ser necessariamente com a função em si, mas com a situação que ela pode fazer com que você passe. E mais importante que você adquirir conhecimento, é querer e saber usá-lo para o bem comum. O Mestre sempre nos ensinou que, se você sabe algo de valor que pode ser usado para ajudar o próximo, então você tem esse conhecimento como responsabilidade e ele deve ser passado adiante, sob pena de morrer com você, sem ter feito a diferença para alguém ou algo na vida. Só estamos com toda essa tecnologia fantástica atualmente por causa de conhecimento aprendido, aplicado e ensinado. E tem duas formas de se usar o conhecimento: você pode simplesmente ensinar para alguém ou usar esse conhecimento fazendo o bem aos outros, no caso do tema desse blog, sendo voluntário, por exemplo. Você simplesmente doa sua energia e conhecimento em prol de algo maior, beneficiando mais pessoas. A propósito, conhecimento não compartilhado é como uma moeda de ouro no fundo do oceano. Não tem valor nenhum!

Proteção energética: Você já percebeu que as pessoas que estão comprometidas com alguma coisa importante, quer seja um sonho, um grande projeto ou um trabalho qualquer estão sempre com disposição e com energia de sobra? Haja vista o arquiteto Oscar Niemeyer, que trabalhou até seus 104 anos e que deixou sua marca no Brasil e no mundo. Parece que estas pessoas não ficam doentes e não tem problemas. Eu, por exemplo, nunca vi o Mestre Gabriel faltar na academia por doença, e mesmo quando teve algum problema estava sempre presente, como você pode observar no blog “Ovomaltine com pêra”, veja aqui. Quando nos comprometemos sendo voluntário de algo, e realmente acreditamos e queremos ajudar, o Universo conspira a nosso favor e logo nos envolve em um campo energético (egrégora), onde todos os envolvidos ficam conectados em prol de um objetivo comum. Esse campo é tão forte que passamos a ficar protegidos por ele. Claro, que seu pensamento deve estar alinhado e de acordo com o projeto, já que pensamento e energia são a mesma coisa. Por isso, uma pessoa que faz parte de um grupo, após um período, passa a questionar seus fundamentos e deixa de aceitá-lo, ela deixará o grupo e seguirá seu próprio caminho ou, simplesmente, o próprio campo energético a "exclui", aplicando a lei da afinidade. O Mestre dizia que, se essa pessoa deixasse de fazer parte de uma organização algum dia, automaticamente deixa de ter a proteção da egrégora que ela tinha, por fazer parte daquele mesmo grupo.

Fazer parte da história: Quando trabalhamos voluntariamente em prol de um bem maior, a nossa energia é despendida para esse fim, fazendo com que façamos parte, quer você queira ou não, daquele evento ou projeto. Lembre-se que, na natureza nada se cria e nada se perde, tudo se transforma, do mesmo modo a sua energia (intenção) fica fazendo parte daquilo a que ela foi direcionada. Muitas vezes, as pessoas estão fazendo parte de algo muito grande, mas não o percebem ou não dão o devido valor que merecia ser dado. Se você perguntar para um pedreiro o que ele está fazendo, talvez, ele responda que está colocando um tijolo em cima do outro. Mas, se você perguntar para um outro pedreiro o que ele está fazendo, talvez ele responda que está construindo a Catedral de Notre Dame, um monumento que vai ficar para posteridade! É tudo uma questão de valor que você credita a você mesmo. Por isso que, o Mestre Gabriel diz que toda vez que ele vai para Baltimore, as pessoas voluntárias que arbitram lá são doutores, mestres, shifus... Isso nos mostra muito da cultura dos outros países onde as pessoas que possuem um certo status são as que mais percebem a importância de ser voluntário, agregando algo significante para a sociedade.

Agora, imagine você sendo voluntário do nosso Campeonato Internacional de Kung Fu, que é o maior campeonato de kung fu tradicional das Américas realizado sempre no meio do ano, desde 2007. Isso significa dizer que você fez parte dessa realização. Significa dizer que SUA energia foi necessária para a realização do MAIOR DAS AMÉRICAS! Significa dizer que VOCÊ foi importante para o sucesso desse evento!

Nós temos muitos bons exemplos de grupos voluntários na TSKF. E temos um em especial que tenho muito carinho e orgulho, que é o Time de Arbitragem de Kuo Shu da Matriz. Esse grupo se desloca praticamente todos os sábados do ano pra Matriz para ser voluntário em, normalmente, três eventos por ano: em dois Campeonatos da Liga Nacional do Mestre Paulo Silva, da qual sempre somos gentilmente convidados, e no Campeonato Internacional do Mestre Gabriel. O horário de treino desse Time é das 17:00 às 18:00, todos os sábados. Esse é um dos métodos do Mestre Gabriel para realmente saber quais pessoas realmente querem e se propõe a fazer o que precisa ser feito, ou seja, marcando compromissos nos horários mais ingratos que você possa imaginar. Agora, você acha que uma pessoa que sai de sua casa todos os sábados para aprender e treinar das 17:00 às 18:00, e ser voluntario em três eventos por ano, não está comprometida por livre e espontânea vontade???

Já deu para perceber o porquê do Mestre dizer que ser voluntário não é uma tarefa simples, mas com certeza, é uma das mais nobres que existe.

Se você, que está lendo este blog, acha que foi convencido a nos ajudar como voluntário, faça-nos um favor, não procure a TSKF para atuar. Agora, se você que está lendo, se inspirou e realmente sentiu e entendeu a importância do voluntariado, por favor, nos procure imediatamente, pois teremos um lugar tão necessário para você quanto a necessidade que o fez nos procurar. A necessidade que todo ser humano tem na essência, a de fazer o bem pelo próprio bem que ele nos faz.

www.tskf.com.br/academias

segunda-feira, 27 de maio de 2013

Cuidado com o óbvio!


Quantas vezes em nossas vidas nos vemos por optar por um novo caminho? Quantas vezes precisamos escolher alguma coisa (seu prato no almoço ou no jantar, um filme para assistir, uma roupa para usar...)?
Muitas vezes optamos pelo óbvio. Como assim óbvio?
Quando falo óbvio, estou referindo-me ao que já sabemos ao que já conhecemos. Já sabemos o sabor daquela comida (não estou falando que você não pode pedir o seu prato preferido no restaurante, mas, sempre pedir a mesma coisa?), já conhecemos determinando estado/país, porque não arriscar-se a conhecer uma nova cultura, novos costumes, uma nova culinária?
E quando falo do óbvio, também estou falando da velhice. Agora você deve estar se perguntando e afirmando, então esse cara não quer ficar velho?
E eu te respondo: Não!
Não confunda ser velho com ser idoso. Ser velho é ser uma pessoa que acha que já sabe, que já conhece, que não precisa mais mudar e idoso é uma pessoa de bastante idade.
Nós gostamos tanto do óbvio, que tem gente que esquece algo e diz exatamente isso:
“Eu sou tão azarada que tudo o que eu procuro, eu acho sempre no último lugar que eu estou procurando. Onde era ‘óbvio’”.
De repente alguém do lado vira e fala: “Nossa, isso acontece comigo também”. Cuidado com o óbvio.
Quando o atual presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, tinha 10 anos de idade, ele chegou pra sua avó e disse: “Vó, eu vou ser presidente dos Estados Unidos”. 
Agora você já parou para imaginar se ela vira pra ele e fala: “Menino, você cheirou cola? Já se olhou no espelho? Já notou que você é afrodescendente, nasceu no Havaí e tem nome mulçumano (Barack Hussein Obama II)? É impossível”.
Sabe o que ela falou? “Vai que você pode”. Dai o lema “Yes. We can!”
Claro! O impossível não é um fato, o impossível é uma opinião.
Trazendo isso para o nosso universo marcial, é óbvio para as outras pessoas (amigos, familiares, cônjuges), que praticar Kung Fu é lutar. É levar soco na cara, sair sangrando do treino, não conseguir se mexer no dia seguinte.
Muito se fala que treinar a luta no Kung Fu é essencial. Pode até ser que o Kung Fu surgiu da necessidade de se defender (isso seria a sua raiz), mas não podemos ficar presos a isso. Não podemos ter ancoras com esse passado.
Nós da TSKF sabemos muito bem que para treinar Kung Fu não é preciso lutar com ninguém, a não ser você mesmo.
Como foi citado no post anterior: “A luta já não é mais o ponto principal, afinal não temos as pretensões acima citadas, como não usamos mais habilidades corporais para conquistar reinos e povos, ela passa a ser o que de arcaico temos no nosso Kung Fu, ou seja, o que seguramente pode ser descartado, pois não será usado, é valor obsoleto.
Sendo assim podemos usar de seus exercícios para obtermos bem estar, e uma saúde verdadeira uma vez que ser saudável não é só não estar doente, mas sim ter condições físicas, mentais, sociais, financeiras e fisiológicas de viver e viver bem, além do imenso conhecimento sobre ser humano que foi ao longo dos últimos 30 anos agregado pelo Mestre da escola”.
Texto de:Jorge Cruz - Unidade TSKF Mogi das Cruzes


segunda-feira, 20 de maio de 2013

Abrindo a Porta


Numa terra em guerra, havia um rei que causava espanto.

Cada vez que fazia prisioneiros, não os matava, levava-os a uma sala, que tinha um grupo de arqueiros em um canto e uma imensa porta de ferro do outro, na qual haviam gravadas figuras de caveiras.

Nesta sala ele os fazia ficar em círculo, e então dizia:

- Vocês podem escolher morrer flechados por meus arqueiros, ou passarem por aquela porta e por mim lá serem trancados.

Todos os que por ali passaram, escolhiam serem mortos pelos arqueiros.

Ao término da guerra, um soldado que por muito tempo servira o rei, disse-lhe:

Senhor, posso lhe fazer uma pergunta?

- Diga, soldado.

- O que havia por trás da assustadora porta?

- Vá e veja.

O soldado então a abre vagarosamente, e percebe que a medida que o faz, raios de sol vão adentrando e clareando o ambiente, até que totalmente aberta, nota que a porta levava a um caminho que sairia rumo a liberdade.

O soldado admirado apenas olha seu rei que diz:

Eu dava a eles a escolha, mas preferiram morrer a arriscar abrir esta porta.

Quantas portas deixamos de abrir pelo medo de arriscar?

Quantas vezes perdemos a liberdade, apenas por sentirmos medo de abrir a porta de nossos sonhos?


Selecionado por João Lourenço
Instrutor TSKF Barro Preto

segunda-feira, 13 de maio de 2013

De que serve o passado? (Tradicional VS Arcaico)


Em vários momentos na vida nos deparamos com situações conflitantes que nos mostram:
Valores antigos em oposição a Novos valores, como quando você mulher,está acostumada a usar um condicionador para apenas hidratar seus cabelos, e descobre que é possível pintá-los usando o condicionador, além de hidratar... (e isso é realmente possível), ou quando você homem está afeitando a barba, e por um descuido deixa o creme de barbear cair no estofado de couro, e quando limpa, descobre que esse é o melhor método para se tirar manchas de um estofado de couro (e isso também é verdade), nesses momentos nos deparamos com valores antigos colidindo com valores novos, e a partir daí podemos reagir de diversas formas, positivas e negativas, otimistas ou pessimistas, arrogantes ou humildes...

Todas as vezes que nos deparamos com informações que não conhecíamos tendemos a ser arrogantes, fechados para o novo, como diz o ditado: "Quando a única ferramenta que se tem na mão é um martelo, todo problema você acha que é prego", dessa maneira montamos barreiras impedindo que o novo conhecimento faça sua morada em nossa mente. Você sendo desse tipo de pessoa ou não, por um acaso deve conhecer alguém que tenha essa característica marcante, que geralmente fala “Eu sou assim e pronto”, ou que para tudo tem na ponta da língua o complemento perfeito para qualquer frase que dissermos a ele,que é: “Eu sei!”.

O fato é que sempre que precisamos evoluir algo, seja um projeto, um produto, ou até mesmo o ser mais importante do universo, VOCÊ (eu), e é inerente a esse processo de evolução a existência de um ponto de partida, se faz necessário usar valores que já obtemos, mas mudar  é deixar de ser tradicional???

Há uma distinção que eu acho fabulosa, que o filósofo brasileiro Mario Sergio Cortella faz sobre o Tradicional e Arcaico, sendo que o tradicional é aquilo que precisar ser preservado, cuidado, levado a diante, consultado quando necessário, ao passo que o arcaico é tudo aquilo que já está ultrapassado, sem valor, desnecessário, obsoleto.

Trazendo essa informação para o nosso universo marcial, é extremamente comum esbarrarmos em uma dessas comunidades que existem nas redes sociais, bate papos e trocas de informações que falam sobre a tradicionalidade do Kung Fu, qual é o verdadeiro Kung Fu, etc., e para ser bem sincero, nunca vejo nenhum aluno,instrutor, mestre, representante de nenhuma escola ou estilo vir num grupo desses dizer que conquistou um reino ou que provou que seu kung fu tradicional era melhor do que o arsenal bélico de qualquer povo, mas vejo muito o povo dizer que é tradicional no Kung Fu treinar a luta, pois isso é a essência, e essa essência não pode ser perdida...  Aí, a  pergunta que não quer calar: 

Para adquirir perseverança, diligencia, disciplina, confiança, auto confiança,humildade, paciência, lealdade, ou seja, valores que julgamos importantes para a evolução do ser humano, obrigatoriamente tenho que me dispor a levar golpes e a dar golpes nos outros, somente porque essa arte veio da necessidade de se defender, ou seja, perco todos os benefícios que encontraria na arte apenas por não querer lutar?

Nós da TSKF entendemos que NÃO, e ainda nos atrevemos a complementar dizendo que existem muito mais ganhos reais nesse tipo de prática que desempenhamos do que apenas consciência corporal, algo que vai direto para um vastíssimo campo de possibilidades e consciências, que vai direto para o campo mental do ser praticante. 

Acredito que isso sim seja A nossa tradição. Que isso é o que temos que levar pelos tempos, que temos de cuidar, consultar quando necessário e preservar. A luta já não é mais o ponto principal, afinal não temos as pretensões acima citadas, como não usamos mais habilidades corporais para conquistar reinos e povos, ela passa a ser o que de arcaico temos no nosso Kung Fu, ou seja, o que seguramente pode ser descartado, pois não será usado, é valor obsoleto.

Sendo assim podemos usar de seus exercícios para obtermos bem estar, e uma saúde verdadeira uma vez que ser saudável não é só não estar doente, mas sim ter condições físicas, mentais, sociais, financeiras e fisiológicas de viver e viver bem, além do imenso conhecimento sobre ser humano que foi ao longo dos últimos 30 anos agregado pelo Mestre da escola.

Quanto a atividade desportiva da luta, isso é assunto para um próximo post, quem sabe?!